<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842</id><updated>2012-01-27T21:39:13.991-02:00</updated><title type='text'>FidjuDjarfogo</title><subtitle type='html'>Este Blog serve, acho, para passar aos amigos um pouquinho do que penso a respeito do mundo, mas especialmente do meu mundo, Chã das Caldeiras, ilha do Fogo. Esse é o pedaço de chão que me faz feliz, com o qual eu sonho todos os dias, inclusive de olhos bem abertos. Saudades imensas. Abraço a todos. Eliezer Monteiro</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-6399326602481913097</id><published>2011-03-06T15:40:00.003-03:00</published><updated>2011-03-06T16:46:02.413-03:00</updated><title type='text'>Boca Fonte</title><content type='html'>Engraçado! Passados dez anos que saí de minha terra, veio-me à memória a imagem de um lugar criado por Deus, para efêmero desfrute de uns poucos privilegiados, chamado Boca Fonte, fonte de saudades, fonte de muitas felicidades, fonte de um amor eterno.&lt;br /&gt;Boca Fonte, Chã das Caldeiras, finais início dos anos 90.&lt;br /&gt;Engraçado como era bom acordar cedo, com o galo se esforçando, a cada dia, para cantar mais bonito, vaidoso que ele é, dizia, era bom demais acordar cedo, seis e poucos da manhã, antes do nascer do sol, desfrutar de momentos de tranquilidade impossíveis de serem descritos, dar uma passadinha no curral e jogar milho às cabras, ordenhar o leite pro café e, óbvio, &lt;em&gt;mixa trás di curral.&lt;/em&gt; Lembro-me bem que o curral ficava do lado direito de nossa casa, do lado de quem vai para São Filipe, na frente de um &lt;em&gt;penero&lt;/em&gt;, dois na verdade, um ao lado do outro, tão juntos que, de longe, dava a impressão de ser um só.&lt;br /&gt;O café da manhã era uma delícia, cumprimentados que já foram os mais velhos, com &lt;em&gt;bom dia e nho/nha dan benson&lt;/em&gt;, dentro de uma cozinha, que lá nós chamamos de 'fogon', &lt;em&gt;fumaça trabankado, odju brumedju ta baza águ,&lt;/em&gt; mas todos felizes, verdadeiramente.&lt;br /&gt;Nesse pedacinho do céu moravam poucas famílias, a do meu pai, dos meus tios Pedrin e Maria, a do Viriato e a de seu filho Leonel, que carinhosamente chamávamos de leão brabu, leão sim, mas brabu não, como ele gostava de dizer. As casas ficavam assim distribuídas: mais ao norte, a nossa, casa de pedra de lava, de telha branca, sem divisão de cômodos, onde ficavam, milimetricamente distribuídos, a cama de minha avó Dina, no canto direito da casa, para quem entra, claro está, outra cama menor, ao lado da dela, onde dormiam minhas primas, nunca entendi como pouco mais de metro de cama podia caber tanta gente, uma mesa no centro da casa, de madeira, com 4 cadeiras em volta, onde meu pai gostava de tomar café da tarde, uma vitrine em frente à mesa, onde, em algum recanto, alguém escondia &lt;em&gt;mantega baka&lt;/em&gt;, que meu pai gosta muito e eu adoro, que saudades disso, &lt;em&gt;agu rabentan na boka gossin&lt;/em&gt;. No canto esquerdo da casa ficava a cama de meu pai, maravilhosamente colocada junto à parede, cama essa que era disputada, milímetro a milímetro pelos muitos filhos. Confesso hoje que eu era favorecido quase sempre, sou &lt;em&gt;codé&lt;/em&gt;, sabe como é, né?! &lt;div&gt;Indo em direção a Portela ficava a casa de minha tia Maria, que chamávamos de mamá, maravilhosa mãe que ela era para nós todos, casa grande, 3 portas de cara para &lt;em&gt;tancon,&lt;/em&gt; quintal grande onde adorávamos jogar bola de meia, cozinha com chaminé projetada e construída pelo meu tio Pedrin, grande pedreiro que ele é, que o digam os vários moradores da Caldeira, para quem ele fez currais, &lt;em&gt;funcos&lt;/em&gt; e cisternas. Mais ao sul ficava a casa de Vriato, da qual, admito, não gostava muito, talvez fosse pelo pequeno, mas sinistro &lt;em&gt;catxó&lt;/em&gt; que ele tinha, que vivia me mostrando os muitos e afiados dentes dele. No meio da &lt;em&gt;quemada&lt;/em&gt; ficava a casa de leão, brabu não, como já sabemos, para onde adorávamos ir, interessados nos figos divinos que ele secava em cima da casa. Dia desses fomos lá, eu e meu inseparável camarada/primo Monterin, e não se encontrava ninguém em casa. Resolvemos subir ao telhado de &lt;em&gt;padja&lt;/em&gt; para comer uns figos. Fizemos a festa, como se diz. Mais tarde leão deu um rugido e nos informou que tinha nos visto fazendo artes perto do cubículo dele, como ele gostava de chamar seu humilde lar. De vez em quando jogávamos bola com os filhos dele, Madeu, Artur e Palu, Lisandro era ainda moleque. No meu time: Montero, Isildo, canhoto bom, meus irmãos Vando e Nelito. No outro os primos já citados e minha prima filó, que gostava de meter a porrada nos adversários, com pontapés na canela, puxadas de cabelo e outros golpes de artes marciais, caso alguém fizesse golo e comemorasse. Isso quando ela não arrebentava a bola de meia Fosse alguém reclamar pra ver se não engolia a bola lá mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais ao norte ficava a Casa de Estado, ou Casa pia riba como eu adoro chamar, que nada mais era do que a adega de vinho dos agricultores da Caldeira. Casa pia Riba era linda, branca, com as telhas brancas, pátio de cimento, maravilhoso para o jogo de xuta-xuta. Na parte de trás ficavam os barris e outros materiais guardados e a casa do nosso guarda amado, Fidjin, pai de Juvinal, que depois de muitos anos o substitui na profissão. Que saudades, meu Deus. Atrás de Casa pia riba ficava um curral onde plantávamos batata inglesa. Mais ao norte, perto de Txada lapinha, que é, posso dizer, fronteira entre Boca Fonte e Dja di Lorna, ficava um lugar fechado, por muros por nós facilmente transponíveis, que chamávamos de Quintal, onde existiam videiras de &lt;em&gt;uva strangeru&lt;/em&gt; e uma figueira, que eu juro que é aquela na qual &lt;em&gt;nho lobo&lt;/em&gt; subiu e foi conhecer o céu. Figos doces, maravilhosamente doces, mais que aquelas que leão secava em cima de seu cubículo, sem falsas modéstias. O quintal ficava do lado direito, de quem segue em direção a Dja di lorna, expliquemos e  continuemos, sem mais demoras, do lado direito de uma plantação de eucalíptos que chamávamos de &lt;em&gt;dentu darve&lt;/em&gt;. Era um pedaço do Éden. Que árvores cheirosas! Aquele cheiro impregnava a alma daquelas crianças, estou certo disso, porque até hoje minha alma cheira a isso. Meu Deus, que saudades, meu pai!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguindo por &lt;em&gt;dento darve&lt;/em&gt; era possível chegar a Fonte Tchan, origem do nome Boca Fonte, permito-me dizer. Era uma fonte antiga, que reservava a água que vinha da nescente que chamávamos de &lt;em&gt;galaria&lt;/em&gt;, água essa que matava a sede da caldeira toda Lembro-me bem, Deus é testemunha, dos muitos burros, em fila, com a câmara de ar de camiões nas costas, cheia de água, rumando a portela e bangueira. Lembro-me também das crianças dos lados de Dja di lorna carregando água em latas e baldes de plástico, geralmente no final da tarde, com a sombra quase já a vestir de preto a imensa caldeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Engraçado como esse pedaço de chão nos fez tão felizes, eu, meus irmãos Gorete, Ilka, Neusa e Nezito (os gêmeos), Cacuca, Vando, Nelito, Pricília e Mônica, meus primos João, isildo, Denice, Montero e Lilica, meus amigos Madeu, Artur, Palo, Lisandro e suas irmãs Rosa, Rosalina, Sãozinha e Ida, Neves e Zequinha de  &lt;em&gt;Cá Vriato&lt;/em&gt; e, com certeza, todos os outros, de gerações anteriores, que também moravam lá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quatro casas, alguns currais e casa Pia riba, engolidos pelas lavas de nosso vulcão amigo, mas engolidos sem violência, diria que foram envoltos pelas lágrimas de um vulcão imponente, porém triste, por ter que guardar para sempre um pedaço de terra, feita por Deus, para dar alegria a uns poucos filizardos. Isso até é uma coisa com sabor de romance, guardar nossas pegadas, os restos de nossas rotas roupas, os restos de nossas humildes casas, uma parte linda de nossas vidas, para sempre, em suas já solidificadas lágrimas. Poder-se-ia muito bem dizer que aqui, em Boca Fonte, Jaz, inerte, a felicidade de um privilegiado punhado de gente. Aqui jaz minha tristeza, aqui jaz!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fidjudjarfogo.blogspot.com&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-6399326602481913097?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/6399326602481913097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=6399326602481913097' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/6399326602481913097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/6399326602481913097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2011/03/boca-fonte.html' title='Boca Fonte'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8375054069830100593</id><published>2010-01-06T15:28:00.002-02:00</published><updated>2010-01-06T16:01:37.989-02:00</updated><title type='text'>Mudjes di nha terra</title><content type='html'>Portela kel dia manxe caladu, baxu frio, neba detadu na txon, sima kel fumaça canhoto ki nha avó ta fumaba. Capel na burcan, nubri ta labanta la na banda monti bedja. Dia bunitu, tempu sabi, ki ta alegra nha coraçan. Kantu n'labanta pan ba xixi trás di casa um obi um rabuliço, n'spia pa ladu skerda n'odja um minininha. El staba di costa, por isso ca da pa sabe cumó kel era, si bunita ó ná. El teneba cabeça marradu cu um lenço branco. El obi nha passo na scora el spia pa trás e el odjan ta spial brigonha dal, kreki ê pamodi el teneba rostu xuxu di tirna caleron kel laba dentu cedo, ó talvez pamó el ca conxeba mi, ó talvez pamó simples fato di el staba ta kodje lenha dentu cedo pel faze cafe pa se donu. Ma foi tão engraçado ki n'ka consegui disfarça um sorriso nem satisfação di sta tão perto del. Kuza stranho, djan odjaba kel rapariguinha argun bez, mas nada ki pudesse ter despertadu argun mau intenção.&lt;br /&gt;Cantu n'da kuel, n'disfarça, n'fra bom dia, el parguntan, Undé bu sta bá, garganta trancan, cumó ki n'al fraba pikena ma n'sta ta  ba mixa tras di casa, N'sta ba ordinha cabra, foi primeru cusa kin pensa, el spian dentu d'odju el fran, Pundé caneca, na kel momento coraçan bate tão forte ki kuase n'obil ta zuni na rotxa. El spia pa txon el arri, sima cusa el staba ta fra, Cabra bu ca sta ba ordinha, ó é xixi ó ê cócó. N'fadiga n'fral, Ê xixi, n'staba ta ba xixi, ma ê ca era tras di casa, era na kemada. El spia pa txon el arri di novo. N'ka nem tenta imagina kuza kel pensa dez bez.&lt;br /&gt;El bá dentu fadigado, djel sabeba ma se donu ka era txakota, ma antes el kanba el fran, Bó é di bila, n'sacudi cabeça na sintido de afirmação, n'parguntal pamodi el fran, Pamodi mi n'gosta só di minin di txan, minin di bila é tudu cunfiado. Paki, cantu el fran sim agu djobe rabenta na odju, n'tenta argumenta argun kuza, ma boca ca djudan, n'da um gaguixada, garganta fica seco cran, mon treme, n'disisti. Ê midjó bu fica caladu as vezes. N'bara pa kemada n'ba ordinha cabra, ordinha cabra ná, xixi, spia cumó n'fica disorentadu.&lt;br /&gt;Kel dia mé n'bá bila. Cantu n'staba ta passa na carro carreda frenti casa sê avô n'spia pan odja sel staba la. El sai na beco, coraçan dan pati pati na petu, n'labanta braço n'dal txau, el dan txau e um sorriso, di kel tipo ki ta entrabu na memoria e el ta nega sai. n'ganha nha dia.&lt;br /&gt;Falando na dia, txuba dja staba pertadu kel ora, xalelé ta corré na rodja, ronco txeia ta bomba na burcan. N'spia pa tras pa n'odjal más um bez, djel viraba, n'odjal ku se lenço branco, ta anda sima cuza el ca era des mundo, discarçada, simples, ma ku um jeito de ser ki só mudjes di txan tem, ki ta cativano sempre.&lt;br /&gt;Kantu n'txiga bila n'fika dodu pan torna bá txan, pan parguntal se nome, pamó nem kel n'ca parguntal kel ora kin n'ba ordinha cabra. Ordinha cabra ná...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8375054069830100593?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8375054069830100593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8375054069830100593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8375054069830100593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8375054069830100593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2010/01/mudjes-di-nha-terra.html' title='Mudjes di nha terra'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-684665986544494381</id><published>2009-10-15T18:03:00.002-03:00</published><updated>2009-10-15T18:43:40.851-03:00</updated><title type='text'>Mané ku Muzinha - ingratidão</title><content type='html'>Mané, ó Mané, kuza bu ba tuma na merca mané, pamó bu largan mi só, ó mané, pamodi?&lt;br /&gt;Foi só kel um linha ki muzinha skrebe el manda mané, na mon di kel omi di tchada furna ki ba merca semana di baxu.&lt;br /&gt;Mane abri kel carta, agu rabental na odju, corasan pertal kel pensa ma el ta morre, forgu fartal na petu, dal so ngana pupa acadirrê.&lt;br /&gt; El cumesa ta pensa na muzinha ku ses fidju es só na txada coba tina, di dia ma di noti, ta da riba ta da baxu, na padjigal, ta compo minis cedu pa ba scola, ta ba da baca bibe, ta panha padja, ta codje lenha, ta po caldera riba...el odja rostu muzinha nguniadu, tristi, sima cusa el staba di luto, el po duedju na txon el pidi Nhordés pa purdal, pa purdal pamo el larga se mudje, pa purdal pamo el larga ses fidju, pa purdal pamo el larga se terra,pa purdal pamo ora kel sinta pel pensa el ka ta odja razaun ki fazel sai di se terra, Ó Nhordés, sima muzinha fran, kuza kin ben tuma nes terra Deus, kumó n'al perde juiz sim só dun bez, Nho djudan Nhordés, nho tem pena di mi, nho tran tristeza rostu nha mudje, nho dal kel coraji ki sempre el temba, ca nho xa nha fidjus pasa fomi, ka nho dixas disamparadu, ó Nhordeus...&lt;br /&gt;Mané perta kel carta na petu, el limba odju, ma mas faci el limpas es torna intxi dagu, cabel gargunhal na corpo, el sinti sima kuza el ta morre, Kreki ê pan paga nha pecadus, el pensa.&lt;br /&gt;El torna lerê kel carta, el sinta na txon, el paga luz, el imagina muzinha ta fazel kel purgunta na pé di obidu, Mané, pamó bu largan?, Deus, pamó n'larga mudje di nha juventudi, má di nhas tres fidju, nha cumpanhera di coraji, mudje ki ta kentan nha cama, mudje ki ta deta na nha braço, baxu pé di figuera, nha mudje ki amparan na ora mas trist di nha vida, ki dan alegria kantu n'pensa ma sta ta morrê.&lt;br /&gt;Sima el ta pensaba na muzinha el cumesa salusa, agu torna boial na odju, korasan pertal tão riju kel pidi pel morrê, pamo el ka staba ta guenta tamanhu di se ingratidão.&lt;br /&gt;El labanta el spia na janela el odja um predio grande, ban di luz, lembral kel figuera ki nho lobo subiba kantu el ba conxe céu...corasan fadigal el pensa, Kem ki sta conta nha fidju storia, a Nhordés, kem ki sta da nha fidju benson, ken ki sta lebas rubera di madrugada, kem ki sta xina nha code ordinha cabra?, ah Nhordés, ka nho xan morre anti n'ba nha camin, n'ta pidi nho dizimola, nta roga nho di fundu nha corasan, nho tuman conta nha casa, nho tran tristeza di solera porta nha casa.&lt;br /&gt;El panha un padás de papel el tenta screbe, el tenta justifica muzinha pamo kel ba merca, el tenta fral ma foi pa midjora ses situação, ma foi pel pode garanti um futuro pa ses fidju, ma foi pan dabu tudu cusa ki sempre bu sunha muzinha, pamo bó é mudje di nha bida interu, é bó kin cre txeu, é bó ki ê nha bida...el para el pensa, el teve certeza ma muzinha dja temba tudu cusa kel cre temba, el temba se minizins tudu ku saude, el temba se casa, di padja, ma ke di sel, el temba se marido, bunito, roskon, trabadjador, ki Deus dal...el para el pensa na se casa, limpo, areadu, ku txeru di lorna tudu pramanha ora kel corda, ku jorra na patio pa minis brinca fritxifratxi ku cabra-cega, na se curral tras di casa, el para el pensa ma se bida dja staba rumadu, el para el pensa na profundidadi di pergunta ki muzinha fazel, mané, pamó bu largan, kuza bu ba tuma na merca mané? el para el pensa, el disisti di screbe se carta, el teve certeza ma pa kel pergunta la el ka temba risposta. Mané sinta conformado, el entrega kel restin di coraji ki fartaba el na mon di Deus, el pidi, Nhordés, ê últimu cusa ki n'ta pidi nho na nha bida, nho tem misericórdia di mi, ka nho xan morrê anti nba nha camin...la mé el scapa el cai, esgotado.&lt;br /&gt;El obi sima cusa el sacuta um galo ta canta, el labanta fracati un bez, el frega mon na odju, el fica caladu, cantu galo canta mas un bez, el da un pupada, el fra Es ca dretu, el abri porta fadigadu, el da ku muzinha contenti, re cabeça marradu ku um lensu brancu, cu se dos gran di odju sima uba brancu, muzinha dal um beju na boca, minis corre tudu ta fra papa nho dan benson, cabel gargunhal na corpu, el po duedju na txon el fra, Ah Nhordés, obrigadu nha pai, doi só pisadela ki bafan, ma Nhordés, xan pidi nho só es ultimo pidido, ka nho xan doda, ka nho xan rada pé di solera porta nha casa, ka nho xan bira nésio, ka nho xan nunca pensa na larga mudje di nha bida, por favor Nhordéz, amé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-684665986544494381?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/684665986544494381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=684665986544494381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/684665986544494381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/684665986544494381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/10/mane-ku-muzinha-ingratidao.html' title='Mané ku Muzinha - ingratidão'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-2086393672937073871</id><published>2009-07-22T14:57:00.006-03:00</published><updated>2009-07-22T17:28:43.309-03:00</updated><title type='text'>Mané ku Muzinha - Noti Seti</title><content type='html'>Oji ê noti seti nha minin. Nha sugundu fidju matxu, Dja nho tenê tres an Mané?, Tres, dos matxu um femia, tudu cu saudi, Grasas a Deus, Grasas a Deus, y Muzinha mudje di nho, El sta bum, mudje di coraji, grasas a Deus, Nho xan txiga, Deus da nho saudi, abensua fidju matxu nho, fazel um bom omi, Amé, Deus ba cu nho.&lt;br /&gt;Mané larga di strada, el bota odju na tancon fasi, el spia se beton sta ben regadu, Sta tudu dretu, farta so txuba txobe.&lt;br /&gt;Di boca fonti pa Coba Tina ê um padás di camin, ma Mané animadu sima el sta el dal un frati, el pasa na Djadilorna fadigadu, tuma guentis grandi benson, txiga na ronbadu el mixa na pé di peneru, el farfadja pé na txon, el txiga casa anti sombra pasa.&lt;br /&gt;El da minis benson, el da Muzinha beju na boca, el laba mon el carraga sê codé, el balansal di alegria, Mané ca bu sacudi es minin, bu ta rabidal codjera, Cumó n' al rabidal codjera, só sin pol pé pa seu, Dja bu cural bicu, Sim, npol um tabaquin, Sta dretu.&lt;br /&gt;Ó muzinha, Oi Mané, Djodjin dja da cabra cume, Sim, Mandal ba tuma banhu, guentis ta txiga ja, Alal ta ba, djel po agu ta quenta na sol, Sta dretu.&lt;br /&gt;Anti sombra txiga na solera porta Pedrin, padrin di minin txiga, Bó tardi cumadre, Bó tardi cumpadri, nho txiga, nho tuma um gorpi café, Mané bá quemada el ta bem ja, Cumó corpo cumpadri, Ali ta bá, Kuza sta fradu na portela, sta tudu dretu, só arcanja qui ca tene corpu sabi, ma alal ta midjora, Deus qui ta djuda, Ê sim, nho du bá tra quel bodi pa du mata, Nha xan txiga cumadre, du te logu, Tê logu cumpadre.&lt;br /&gt;Anti Pedrin caba fola bodi Ferro txiga cu carro ban d'arguem, mosus tudo ratorcu, mininas tudu janota, tudo ta baza briu. Ca sabedu ma anti galo canta arguen ta sta prenha, anti del sai di casa, tambe cusa el ba faze tras di curral cu Djonzin, sim, quem qui mandal badja paranóia cu paradinha quel noti interu, el ca sabe ma mosinhos di dizases ku dizaseti anu ma ses unicu pensamentu ê mexe ku minininhas?, ses ca ta purda nem besta ku txibarra, imajina ses ta purda mudje bunita di bexu pintadu. Sel ca sabel oji el ta sabel. Anti galo canta, sima dja fradu.&lt;br /&gt;Sombra na boca burcan, manecon na boca mosus, fidju femia di arguem na boca mundo.&lt;br /&gt;Mudjes sta tudu na cuzinha ta djuda Muzinha, Armandinha dja nha discasca mandjoca, Dja, Nha pomel na quel caldera di carne, Nha pode dixa Muzinha, Juzina, nha tisan quel lumi na caldera fijon, Alan ta tisal, Muzinha, Oi Mané, Traze mosus um boca vinho, Speran um cuzinha, alan ta ba. Muzinha labanta, el compo ropa, el marra lensu dretu, el bá trás di casa el banha um jarru vinho tinto el po riba mesa, Mosus nhos pode sirbi, Mosus ca nem faze sirimonia, cada um intxi se caneca.&lt;br /&gt;cantu djanta sirbidu Mané txuma guentis el fras ma oji el sta contenti, ma oji se fidju matxu faze seti dia di nesedu, sim, Oji n'sta contenti pamo nhas amigu sta tudu raunidu pa selebra es mumentu sabi cu nos, cu nha mudje cu nhas fidjus, Djan fra nhos ma n'leba muzinha bila onti?, sin Mané, dja bu franu, ma dja du frabu ma oji ê dia pa du conta storia noti seti bu codé matxu, stória di Muzinha na bila ê otu dia, Mané requi sta fusco, Êl sta ban d'agu, Ma el sta contenti, Ê quela qui balê.&lt;br /&gt;Badju stica um pregu noti interu. Ora qui stadu fusco tempu ta pasa fasi, sima tiro. Galo canta cocórocóo, má anti el canta arguen staba ta grita Óoo Djonzinnn, trás di curral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-2086393672937073871?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/2086393672937073871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=2086393672937073871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2086393672937073871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2086393672937073871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/07/mane-ku-muzinha-noti-seti.html' title='Mané ku Muzinha - Noti Seti'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-4285188317331978464</id><published>2009-07-09T12:07:00.008-03:00</published><updated>2009-07-09T12:55:50.364-03:00</updated><title type='text'>Mané Ku Muzinha</title><content type='html'>Xan ba pô fijon riba, sombra dja prinda na rotxa, Mané debê dja larga di strada, tumara ki ês fijon pedra kusinha tê ke-l fika moli, pamô djagasida ku fijon riju ka ta pasa na guela, Ó minin, bá kodje-n kel lenha, ala bu pá ta ben la, se-l ka txa lumi kuradu ku kaleron riba el ta kortabu kosta. Mané passa dia interu na trabadju strada, es sta fazê ke-l tankon na Boka Fonti, pamó fonti txan sta bedju, na tempu txuba águ sta filtra tudu, ta vapora. Dipos ê limaria ki ta fika ku boka pa seu. Kapataz ta lebaz stikadu um pregu, mudjês ta kodjê brita pa pô beton, mosus ta kebra peneru, rinka-l ku pikareta ku madju e kebra-l na basi marreta, Ma Mané, bu kal rinka es peneru oji omi?&lt;br /&gt;tanki dja sta boladu, dia dimingu es ta kubril, ka podÊ perdedu tempu, dja stadu na mei di mes di maiu, na juldju ziada ta kumesa kai, si deus quiser, te fin di setembru ês tanki ta sta tiki dágu, tê boka.&lt;br /&gt;Muzinha, manha n-sta bá bila, Ma n-pô mané, bó bu konxê bila?, N-ka konxê bila, ma manha n-ta konxe-l, manha n-ta rabortia-l di kumera pa rubera, Ma kuza bu sta bá fazê na bila?, N-sta ba kumpra kel mensa kin frabu ma n-ta daba bó kantu ntrabu di kasa, Ê midjó bu kumpra bersu pa minin deta ora kin pari, Ki bersu mudje, minin ta deta na kotxon di padja, sima ses ermun tudu, tudu djuntu, Má el al aguenta kes txeru di pasusu kes ta basa na kel funku, Ê pel kerse ku saudi.&lt;br /&gt;Kantu Mané txiga na kongresu koba-l d'odju intxi-l d'águ, É kela ki ta fradu mar, Ê ke-l propi, Na txan ka tem mar?, Na, só sê mar di skora, kuza kês kuzinha brumedju la, Ê lantxa, mosus ki sta sai pa ba piska serra, ku atum ku garopa, Ahh, kês kÊ nhaku d'omi, piska txitxaru debê ser mas difisi ki rinka peneru pa fase tanki.&lt;br /&gt;Anti sol kanba tras di burkan Mané dja staba na kasa. El proveita ki karu karrera largal na artu skora el bara pa pé di rotxa, el panha um brasada tosa ku aipu el bota kes kabra na kurral di kemada. Dja kel staba na kemada el panha um fexi lenha binha seku el leba Muzinha pel fazÊ pon na tampa, Bu krê pon ó gufongu Mané?, Oji n-krê pon, di tampa, ku mantega baka.&lt;br /&gt;Ês kumê pon, minis bibê leti batedu, es deta tudo baxu figuera, Papa, kontanu kel stória di kantu nho lobu, bá konxê mar, Kalé?, Kel ki na final ês ta pôl pexi ba braku kadera, An, sim, Kel dia nho lobu baba ratorku pêl ba konxe mar di fontibila, Papa, nho lobu sabê nada?, Kumó nho lobu al sabê nada si na orela ka tem mar, An, ê sim...Minis drumi, muzinha dêta Mané na petu, ta spia lua branku arbu na seu, el fral, Mané, bila ê sabi?, Ah Muzinha, forti kabu sabi na mundu, la tudu kuza é bunitu, sima di merka, la ka tem nem baka, nem kabra, n-ka odja nem um koko di burru na txon, N'tan la ninguen ka ta txafa koko, Na, bila ê sabi, Mas sabi ki bangaêra Mané?, Mas sabi ki Bangaêra go kreki nem merka, Mané, ki dia bu ta lebam pa-n bá konxê bila, Muzinha, tê ki-n rasebe kinzena N-ta lebabu, pa bu ba konxê prisidiu, pilorin, santa flumena, ah Mané, ka bu pon águ na boka, Du raza du drumi, manha N-ten ki argui sedu pamó manha du ta kubrin tankon.&lt;br /&gt;Muzinha bira kabesa di ladu el kubri miniz, êl spia sê maridu êl fra-l, Mané ka bu txora, N-ka sta txora mudjê, n-sta laba odju. Mané dja teneba sodadi bila.&lt;br /&gt;Dia ki pagadu kinzena muzinha ta konxê bila. Tê la larga-l sunha di se manera, ku lantxa na mar di fonti bila, ta trazê brita pa Mané kubrin tankon. Dia ki pagadu kinzena du ta konta más um bokadin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.D. Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-4285188317331978464?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/4285188317331978464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=4285188317331978464' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4285188317331978464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4285188317331978464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/07/mane-ku-muzinha.html' title='Mané Ku Muzinha'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-5144758671848534943</id><published>2009-04-24T10:56:00.004-03:00</published><updated>2009-04-24T11:54:01.219-03:00</updated><title type='text'>Testamento</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SfHRtZ6M-9I/AAAAAAAAAGc/ZgBZ6A3Tr0U/s1600-h/casebre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328270412135332818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SfHRtZ6M-9I/AAAAAAAAAGc/ZgBZ6A3Tr0U/s400/casebre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quão bom seria poder ser enterrado na minha terra, embaixo de uma videira, deitado de costas, olhando para o céu, eternamente, nos dias mais ásperos e nos mais chuvosos, cinzas, frios, que apelam à solidão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem sabe assim tanta água possa lavar minhas mágoas, meu peito apertado por tantos anos de ausência, minha alma espremida pelo peso da nostalgia, pela plenitude da solidão que me preenche.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez o sol escaldante do mês de Maio consiga secar minhas lágrimas, aquelas nunca choradas, recalcadas, imerecidas lágrimas de um pecador, de um inveterado transgressor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria ser coberto por toneladas de lavas incandescentes, pois seria essa a forma de incenerar meu espírito indigno, meus pés indignos de pisar nessa terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas antes disso tudo queria rever cada milímetro desse sagrado chão, sentir o cheiro das árvores de flores abertas, atraindo meu espírito, com mais veemência do que o mar atrai seus afogados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Almejo vivenciar os mais perfeitos momentos já experimentados, na solidão da tarde, olhando pasmo, de longe, sozinho, para a fumaça suave, dançando em cima de um funco, hipnotizando minha alma, agarrando-a com força, terna e eternamente. Nem precisava, meu ser pertence a essa realidade, não importa onde esteja meu casco, minha essência é essa, inexoravelmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Suplico andar descalço nesse frio e seco chão, mas não tão seco quanto meu íntimo, não tão frio quanto isso a que fui obrigado a me transformar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quero sentir todas as emoçoes, desde o cheiro de bosta de vaca, que me lembra sempre de onde são minhas raízes, até ao arrepio que vivencio ao ver uma criança dançando, ingênua, feliz, na chuva que cai torrencialmente, lavando o desânimo de quem há muito vem esperando por ela, sempre, de olhos arregalados para o céu, suplicando, Deus não deixe faltar pão na minha mesa, não deixe faltar comida na boca de meus filhos, de todos eles, das dezenas deles, não deixe que a coragem se escape por entre meus dedos, não deixe que meu espírito fraqueje, em nome de Jesus, Amén!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de morrer quero ouvir de novo as histórias do rapaz que está querendo namorar a menina da casa ao lado, Hoje é dia de festa, &lt;em&gt;oji m-ta tral di kasa,&lt;/em&gt; sem dinheiro no bolso, sem futuro traçado, sem promessas a fazer, cujo charme reside na sua forma rude de ser, na sua coragem desmedida, de mangas enroladas, pronto para o que der e vier, pronto para encarar anos de seca quanto dias de chuva a fio, apto a dormir ao relento, com um pedaço de lava pretendendo ser seu travesseiro, quanto no conforto indescritível de seu funco. Que lugar no mundo é mais confortável que um funco?, eis o desafio lançado aos sábios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pela derradeira vez pretendo me deliciar comendo &lt;em&gt;djagacida ku leti baka parida&lt;/em&gt;, no café, almoço ou jantar, eternamente, pois o que se compara a essa iguaria?!  Estimula todas minhas papilas gustativas, todos os neurónios de meu hipocampo, todos os meus receptores de serotonina, me dá vida, leiga e sabiamente falando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria apenas isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois posso ser enterrado, mas de costas, olhando eternamente a chuva caindo, numa noite perfeita, gelada, sem lua, tão crua quanto minh'alma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-5144758671848534943?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/5144758671848534943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=5144758671848534943' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5144758671848534943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5144758671848534943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/04/testamento.html' title='Testamento'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SfHRtZ6M-9I/AAAAAAAAAGc/ZgBZ6A3Tr0U/s72-c/casebre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-1164528817334667689</id><published>2009-03-29T12:58:00.004-03:00</published><updated>2009-03-29T13:53:40.968-03:00</updated><title type='text'>Benson</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/Sc-lpCKHrzI/AAAAAAAAAGU/NqCCJG1fB7E/s1600-h/nostalgia_sunset_333x500.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318651809320382258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/Sc-lpCKHrzI/AAAAAAAAAGU/NqCCJG1fB7E/s320/nostalgia_sunset_333x500.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alô, pai, dan benson, Deus djudabu, Kumó korpu?... jeralmenti ê sin ki-n ta kumesa papia ku nha pai ora ki-n ta telefonal, la na Txan. Na mesmu instanti ki telefone ta da primeru ringui, nha spritu ta fuji di mi, el ta leban sima kuza na kel fiu di tlifone, diretu pa portela, undi kel tlifoni nha pá ta sta. Hora kel da kel primeru toki, ê sima kusa go n'sta trás di kasa, baxu kel pé di kalipru, ta tuma bentu na oredja, na mês di otubru, dipos di un noti interu di txuba pertadu. N-ta kumesa ta vivensia kes emosaun tudo, ta odja kel burru marradu fora kurral, na staka, pamó dentu kurral é só kabra, bodi e kabritu, oji na, oji bodi tambe sta trás di kurral pamó el djobe bodeka kabra prenha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Más baxu, tem um kurral fitxadu ki ka tene limária, el sta ban di bobrera ku korda bata, bobrera dja sta detadu, ban di balonbolo loru, prontu pa bira sopa. Korda batata dosi tambe sta bunitu, sima kel ki Nhô lobu prantaba na orela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Korpu sta dretu, y nhôs pra la, Tudo bom tambe, y padjigal?...ora ke-l fra ma padjigal sta bunitu, korpu go ta rapian, ta gargunhan kabel na korpu tudu, te ki-n lembra di kes pé di fijon karragadu tê ki ramu dja kumesa rasta na txon, kumó n'kal fika gargunhadu si ê kela ki ta alimenta kês monti boka ki na tempu seka ta fika abertu, ku odju raganhadu pa seu, ta pidi txuba? sin, kumó n'kal fika emosionadu si ê baxu kel pé di fijon, na hora ki sol ta kumesa n'gatxa trás ri rotxa ki du ta tmaba kel kafé di tardi? kumó águ kal rabentan na kobal d'odju si di bez en kuando era baxu kel pé di fijon ki du ta atxaba obu galinha terra, ki du ta fazeba kel jemada pa tranu gripi di pêtu. Ka tem komu n'ka fika emosionadu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Guentis sta tudo dretu go, Alás bom, Y Tio Djonzin?... xan fra ken kê ês omi. Djonzin di Dina, nha tiu, ermun di nhá pá. Omi karismátiku, tokador di violinu ki só el, ki, n'ka meste fra, ten um ronku fidju, só lejitimus Montrond, branku arbu di odju verdi, verdi na, odju branku sima ki du ta fra na kel zona. Ora ki Tio tra um toka na violinu, ka ten ninguen ki ta fika paradu, kreki tê padri ta badjaba sel obi kel toka. Djonzin na violino, Ramiru, nha primu, sê fidju na violaun, Juvinal di Malikinha na reku-reku e Zé Mané di Armandinha na Kavakin. Ê di morna a talaia-baxu tê ki manxê. Lembra-n kel bez ki fazedu un festa kasamentu na txan, ki tiu bá toka, má forti kuza sabi na mundu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nôs baka pari, Kantu, Dôs bizerru...kabesa lembra-n logu di kel rakejon ki du ta tumaba ora ki baka ta pari. Kenti, ku águ ta skapa d'odju. Nha pá ê ka mutu di rakejon, el gosta mesmu ê di se kafé ku kamoka. Kamoka mindju terra, xa-n frisa'l, ki mudjezinhas di kasa faze, dipos kes ila kel mindju dentu kuzinha, na kel frajidera, ku lumi sendedu ku lenha mamona, fumasa trabankadu, odju brumedju, nariz ta baza ranho. Dipos muidu na kel midor de pedra pomba, fetu pa mon ban di kalu di artesauns di terra. Kumó ki kel kamoka kal ser sabi, si pel ser fetu, tantu sakrifisius foi nesesariu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onti n'lembra na bó, Pamodi, Du mata um kabra...mata um kabra, kabritu, txiboku ó bodi formadu ê ka um atu simplis pa ken ki ê envolvidu nisu, el sta más pa um ritual ki pa otu kuza. Kel animal ki sta bá pa sakrifisiu ka ta perde se dignidadi nunka, é só parti di sê distinu. Kuasi sempri ken ki ta bá dismarra kel limaria ê ken ki sta ba matal. Faka dja sta tudu moladu, kaleron readu, basia prontu pa podu tripa ku tripinha pa fazedu txorisu, intxidu ku arros. Mi n'gostaba di kumê rin ku pasadinha. Tem kes mosus ki gosta di ses bon bandoba kabra, ten kes ki gosta só di kabesa kabritu, ten ate un skizitu ki gostaba di kume kel-kuza-ki-n-ka-pode-skrebe-li-di-kabra. Asadu, di preferensia. Kumpanhadu ku manekon, por obzekiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fika ku Deus nha fidju, Nhôs tambe, Amé, Deus danu bonoiti. Noti na zona tanbe é ka sabi ku txakota. Na un prosimu oportunidadi, ken sabe, n'ta skre uns dos linha tortu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-1164528817334667689?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/1164528817334667689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=1164528817334667689' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1164528817334667689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1164528817334667689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/03/benson.html' title='Benson'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/Sc-lpCKHrzI/AAAAAAAAAGU/NqCCJG1fB7E/s72-c/nostalgia_sunset_333x500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-1371645742716971702</id><published>2009-01-27T13:43:00.010-02:00</published><updated>2009-01-27T14:42:13.569-02:00</updated><title type='text'>Tempu sabi</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SX802e461kI/AAAAAAAAAGM/bMfYNvzResk/s1600-h/2006_0905.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296009797420373570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SX802e461kI/AAAAAAAAAGM/bMfYNvzResk/s320/2006_0905.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Kel dia tudo arguen korda sedu, antis terral riska, antis galu kanta dôs bez. Primeru ki ta kordaba era ken ki era risponsavel pa faze kafe, laba kes pratu ki fika xuxu na djanta, kura lumi pa rafuga kel djagasida di onti noti, ma xa-n fra ma djagasida di onti ê mas sabi ki kel fresku ki fazêdu gossin. Era mês di Janeru, frio ta konjela oredja, frosta lansiadu na txon, ta kema txopa kes urtimu pé di pranta ki inda sta berdi. Úniku ki ta sobraba era kes ki era resistenti a friu. Figuera era um déz. Ban di figu branku, ku txantxiroti ta kanta la na kakuruta, sima kuza era donu kel figuera.&lt;br /&gt;Antis sol txiga na solera porta dja staba tudo arguem na rua, matxu ku femia, kada um pa sê puleru, uns pa padja, otu pa lenha, otus pa ba karraga jorra pa ba area porta kasa. Dipos tudu nós, matxu ku femia, du ta ba karragaba kel padja lugá seku ki du kumpra na sul, pa du ba garda na lapa pa da limaria kumê na tempu seka. Na ês meiu tempu dja du da um kurrida tê strada pa du ba kontra ku sol, ki na es tempu ta dixe divagar, sima kuza el tene priguisa, sima kusa el sta na lua-di-mel, ka kre labanta di kama. Mi tambe di bez em kuandu n-ka ta kreba labanta di kama, ma um kaneka di agu friu na kosta jeralmenti ta traba mi sonu di odju.&lt;br /&gt;Kes tempu era sabi.&lt;br /&gt;Di tardi du ta baba portela, ba djuga bola, matrankilha, badju, bom, badju só pa kes ôtu, ê ka pamó n-ka sabeba badja, era só pa-n ka dixaba mosus na brigonha, kontinuandu, ó só pa kebra rotina. Badju na kes inisiu era ku radiu pilha, baxu luz di kapingaz, undi temba, pamo di bez em kuando era baxu luz di kandia pitrol. N-ka meste nem fra ma si pitrol kaba badju ta kaba se trás. Kuza ki n-ta sinti sodadi del tê oji ê di kes kaminhada ki du ta fazeba dentu treba sukuru, animadu, ta konta parti. Má sin ki du txigaba na txon d'águ lua ta saiba na seu, branku arbu, meiga, sima noiva, di véu y grinalda, sima kuza el da sol pineu el ranja ku strela. Ora ki lua saiba go du ta farfadjaba pé na txon sima mula brabu, ta fasê puera, na txon di terra ó na kemada.&lt;br /&gt;Kes tempu era sabi.&lt;br /&gt;Sabi sima kel jemada di obu galinha terra ki du ta kumeba di bez em kuando. Um bez nha pá dan um galinha, má di mé ê ka era di terra, era galinha jinebra, ki ta poba um obu tamanhu um bola ping-pong, Sem exageros meu caro, n'tan di sel ka era kadera, sin, sima um bola matrankilha n'tan, Ok, ok, só ki Ê ka era rodondu, Xan konta stória bardamerda, Ok, ok, nha galinha ki ta poba obu di tamanhu ki el kreba, afinal kadera era di sel, era brumedja. N'ta poba el na gaiola di pramanha n'ta fikaba ta spial na braku te kel poba kel obu. Tementi el ka poba el, el ka ta poba um gran di mindju na boka, Na boka naun, na biku, Na biku merda, xan papia, Ok. Ora kel poba obu n-ta daba el txapu-ta-golesa n-ta ba atxaba Monterin pa du ba faze jemada. Du ta pingaba el uns dos gota limon du ta daba el um gorpi, Pa limpanu petu, sima ta frada.&lt;br /&gt;Kes tempu era rê di sabi.&lt;br /&gt;Ora ki n-ta obiba storia di mosus máz bedju, ora kes ta traba mudjê di kasa, n-ta fikaba kontenti, Ahhh, kel moz la go dja pinta manta, el Ê prigosu, el ê chefona, el ê badona, el ê nhaku d'omi, Má ken kel tra di kasa?, Ê kel minina ki bu gosta del, Ahhh, kel mos la go ê stangon, bandidu, fidjul puta, omi kaju, Ê ka sim, ê só pa-n ganabu, Ahhh, n'tan sta bom, kel môs é badona propi...&lt;br /&gt;Na kes tempu sabi, si bu ganhaba fidjadu bu tem ki poba fidjadu argun kuza na mon ora ki bu ba visitaba el, dinheru, di preferensia. Tenba uns fasilitu ki ta daba fidjadu so pa kes mosus ki tenba um trokin a maz. Mi nunka n'ganha fidjadu. Nha pá tenba sinku fidjadu, tudu fidju di mesmu pá y mesmu mãe.&lt;br /&gt;kes tempu era sabi tê dimáz.&lt;br /&gt;Dentu des dia n-ta konta máz argun kuza di kes tempu ki du ta kordaba antis terral riska pa du ba panha padja. Ken ki ka korda, dja sabedu, é kaneka d'águ friu na kosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-1371645742716971702?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/1371645742716971702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=1371645742716971702' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1371645742716971702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1371645742716971702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2009/01/kel-dia-tudo-arguen-korda-sedu-antis.html' title='Tempu sabi'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SX802e461kI/AAAAAAAAAGM/bMfYNvzResk/s72-c/2006_0905.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-6165388203200768748</id><published>2009-01-27T11:17:00.001-02:00</published><updated>2009-01-27T11:17:34.477-02:00</updated><title type='text'>Coba Tina 2</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/8pojKY5BvWA' name='movie'/&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/8pojKY5BvWA'/&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nha Terra...&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-6165388203200768748?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/6165388203200768748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=6165388203200768748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/6165388203200768748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SUJxNtnLvyI/AAAAAAAAAE0/HMhtVFSoQ7o/s320/roceiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ês dias n-staba ta lembra di kantu mi era miodin, na txan, kes memorias sabi, ki tra-n águ na odju, ma faze-n ari au mesmu tempu.&lt;br /&gt;Kes tempus n-temba mania di korda sedu pa-n ba dêta na kama nha pá. Ora ki-n fra sedu pode pô uns duas ora madrugada. Era sabi pa kaga.&lt;br /&gt;Banda sinku y meia pramanha, anti galu abri odju, kel odju ki staba fitxadu, pamó galu na Txan ta drumi só ku un odju fitxadu, sin, pamó sel fitxa tudu dôs kel katxó ta dal pati um bez na piskóz, ma sima n-staba ta fra, antis galu abri kel odju fitxadu, guentis strada ta kumesaba ta txiga pa trabadju. Kapataz, Fatin di Andilinu era primeru ki ta passa, el ku sês kuatu mudjê, Diana, Maria, kel ôtu Maria y...y...djan diskisê nomi kel kuartu mudjê, ma Fatin ta diskurpan, kreki nem el ka ta lembra sês nomi tudu, di mudjês si kabesa sta-l bum inda el ta lembra, agó di kês korenta fidju go..., sim, Fatin ta passaba ku ses ronku mudjê na filera, el ta daba nha pá bondia, Bondia Neves, bondia Fatin, el ta tumaba nha avó benson, Dina nha dan benson, Deus dabu um bon noiva, máz un vovó?!, el ta baraba pa postu trabadju, Oji du tem ki kaba es diki ku kel banketa la riba, sinan txuba ta rasta kes pedra tudu te kemada, el torna fra mudjes, pamodi onti noti djel fraba es el, naun pa es tudu, talvez só pa kes dôs mudjê kel drumi kues, ma el ka drumi kuês djuntu, kela tambê ê dimáz, Kapatáz ê kristaun. El drumi ku un tê meia noti y el kaba manxê na kasa kel otu. Xan fra drumi pa fika más lebi, pamó homi go kreki ka ta pregaba odju tê ki manxê, si ka fosi sim kumó kel konsigui fasê kês ronku fidju?!&lt;br /&gt;Sól gó dja kumesa kenta guentis na mulera, Kapatáz manda tudu arguén panha farnel pa kafé di dez ora, baxu arvi, tudu mosus ta baza gufongu denti, sima burru ta nhamê mindju seku.&lt;br /&gt;Kuatu hora tardi ê ora bá kasa, panha padja, da limária bibê, monda uns dôs koba mindju, kaba kubri kel funku, pô fijon riba, ruma kama, Pamó du ka sabê na kasa kenhê ki kapatáz ta ba drumi oji, drumi ná, sima ki dja du splika la riba.&lt;br /&gt;Oji tempu sta sabi, neba detadu, kapel na burkan, Suma kusa go oji ta txobe. Podê txobê, nhá bedja perta txuba, tumó kes diki ku banketa dja sta tudu prontu.&lt;br /&gt;Di fatu txuba baza na txon na kel noti sima padja, sem manha, ku abusu ku tudu. Kes mosos ki staba ta bibê manekon na ká Ramiru panha mau, es fika tudu morsedu, sima pardal na txuba. Kel ropinha kes temba, kel um indéz, modja, manha gó si por argun akasu dadu um badju, kabu dja mariáz, ka tem ropa bá badju. Só sês pidi pistadu ó sés usa kel karsa rabu ratxadu kês leba padjigal onti. Ma kela é ka importanti, maz importanti é txon modjadu, tanki tudu intxidu tê boka, ôtu intxi tê ki baza na disgotu, tankon di boka fonti tambe sta bipi d'águ.&lt;br /&gt;Banda sinku y meia pramanha guentis kumesa sai di kaza, baxu txuba inda, má só kel ziada fei-fei, só burrufu, kada um ku sê inxada na kosta, koraji fitxadu, só ku kel gorpi kafe na bandoba, pa bá baza inxada na txon, kada un na sê punhadu terra, ó na terra di ôtu, nu kasu di ken ki ka tem terra. Oji ê inxada na txon tê ki xá bira kafé... ná, kel ditadu la ê na bila ki du ta usal, li na txan ê, Baza inxada tê ki nhô konxe Diniz. Nunka n-diskubri ken kê ês Diniz, ma el na se tempu el debe serba omi konxedu, sima nôs kapataz, kel ki tem um ronku mudje e korenteum fidju, kel mudje ki-n ka sta lembra se nomi pari onti. Oji talvez Kapatáz ta bá drumi na sê kaza... pel konxê mininu guentis, nhôs menti tambe sta puluidu dimáz. Kapataz é kristaun.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-150824952612413004?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/150824952612413004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=150824952612413004' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/150824952612413004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/150824952612413004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/12/guentis-strada.html' title='Guentis strada'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SUJxNtnLvyI/AAAAAAAAAE0/HMhtVFSoQ7o/s72-c/roceiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8718650640053825333</id><published>2008-09-27T15:05:00.004-03:00</published><updated>2008-09-28T19:29:48.308-03:00</updated><title type='text'>Secas</title><content type='html'>Caro amigo, se for noite onde estiveres, feche os olhos, relaxe e sonhe, mas se for dia, arranque um fio de &lt;em&gt;pustana&lt;/em&gt; porque a história via começar.&lt;br /&gt;Era uma vez Nhô lobo e Chibinho, há muitos anos, quando nossa terra ainda era pouco habitada, em épocas de muita fome, épocas que renderam muitas histórias, como esta que agora começa. Dizia, Nhô lobo e Chibinho, forçados pela excassez de alimentos, decidiram ir para os extremos opostos da ilha, Eu vou para o sul, disse o sobrinho, EU vou para o sul, disse o parente mais velho, imaginando que o sul da ilha fosse zona de muitas farturas, É óbvio, senão esse malandro do meu sobrinho não teria escolhido ir para esse lado. Mal sabia ele que o outro já sabia das novas da região norte, cheio de milho para comer, assado, cozido com mantega terra ou até &lt;em&gt;iladu&lt;/em&gt; com óleo quente, feijão para todos os gostos, fijon figuera, fijon gróz, faba, bongin, bangolon, balombolu, mangu, figo...Vou parar de pensar, Se o lobo olhar para mim agora com certeza me verá salivando, &lt;em&gt;agu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;kortadu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; &lt;em&gt;boka&lt;/em&gt;, E saberá que o paraíso é ao norte desta terra.&lt;br /&gt;E foram eles apressados, mentalmente falando, pois as pernas magras, essas mal aguentam sustentar o leve peso de seus corpos, que diremos de andar apressados.&lt;br /&gt;Nhô lobo sempre foi um ser gordo, peludo. Quando eu ouvia as histórias, no funco deitado de costas, olhando as estrelas através do buraco no telhado, causado pelo menino que arrancou um punhado de palha para acender o fogão de lenha, continuemos, ouvindo as histórias imaginava o Senhor lobo como sendo um bode velho, chifrudo, fedorento, mas amigável, era uma figura que não me fazia sentir medo. O Chibinho eu já via como sendo um cabritinho, esperto, ágil, principalmente no que dizia respeito a enganar seu tio, o Lobo.&lt;br /&gt;Feitas essas ressalvas, é hora de continuar o desenrolar da história, não esqueçamos que os dois estão famintos.&lt;br /&gt;Chegados estão nos seus destinos, Chibinho, o cabrito, está já se deleitando com o manjar que citamos já, só não lembro se disse que o milho podia ser comido cozido com mantega terra. Eu sei, &lt;em&gt;agu kortadu na boka&lt;/em&gt;, não é amigo?! No sul, o lobo está cada vez mais raquítico, só conseguiu alguns exemplares de gafanhotos secos, grilos magros escondidos embaixo de pedras, secas após tanto tempo sem ver chuva caindo dos céus. Vou para o norte, decide o chifrudo.&lt;br /&gt;E foi. E chegou. E viu um ser gordo e peludo, chifrinhos já apontando e nem pôde reconhecer que aquele era seu sobrinho, Sobrinho querido, dá um abraço no teu tio. Foi só o sobrinho tentar dar-lhe o solicitado modo de cumprimento, que o bodão lhe cravou os dentes nas, já gordas, orelhas e lhe obrigou a contar o segredo de fazer brotar figos da figueira, indefinidamente, Pan kumê tê kin rabenta, ressalta o tio.&lt;br /&gt;Um belo dia ele chegou ao céu. Falo do Nhô lobo. Ele se esqueceu que para fazer a figueira diminuir de tamanho, a senha era &lt;em&gt;Figuera mama baxu&lt;/em&gt;. Empolgado, foi falando &lt;em&gt;figuera mama riba&lt;/em&gt; até chegar ao céu. Reza a lenda que Deus fez um acordo com ele, que o amarrou numa corda e lhe deu um tambor, que teria de tocar assim que chegasse à terra, Então cortarei a corda, disse Deus. Isso reza a lenda, como já disse.&lt;br /&gt;Nho meio do caminho ele se deparou com um &lt;em&gt;passadinha di biku brumedju&lt;/em&gt;, com um pedaço de carne no bico e pediu um pedaço, Só se tocares uma música com esse tambor, e Ele tocou, emocionado, tão forte que Deus ouviu o batucado lá no céu. E fez o que já sabemos. Nhô lobo despencou kabeça baxu e caiu sobre um cajueiro. Lascou-se todo, mas nem se importou, ao experimentar daquele fruto estranho, que nasce de cabeça pra baixo mas que é, Sabi ês kuza. Foi nessa parte da história que passaram criancinhas e lhe pediram, &lt;em&gt;Nhô lobo nho dánu simenti caju pa du bá assa&lt;/em&gt;, e ele retrucou com o famoso, &lt;em&gt;N'tan caju tem simenti?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dias&lt;em&gt; &lt;/em&gt;depois, chuveu muito e retornaram para seus lares. Mas aí é outra história. Depois falaremos disso também.&lt;br /&gt;Stória kaba , balá n'borka.&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;br /&gt;Eliezer, Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8718650640053825333?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8718650640053825333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8718650640053825333' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8718650640053825333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8718650640053825333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/09/caro-amigo-se-noite-onde-estiveres.html' title='Secas'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8071802092859944222</id><published>2008-09-19T17:54:00.005-03:00</published><updated>2008-09-19T18:36:23.817-03:00</updated><title type='text'>Regresso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SNQaBW4RQeI/AAAAAAAAAEs/JzR1O3InJS4/s1600-h/pensador.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247848076417253858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SNQaBW4RQeI/AAAAAAAAAEs/JzR1O3InJS4/s320/pensador.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos últimos sete anos tenho tentado, em vão, descrever em pensadas palavras como será o dia em que vou voltar aos braços da minha terra, como será a hora em que libertarei minha alma do peso avassalador, a ela imposto pela nostalgia ao longo das estações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Queria eu que esse dia fosse um dia de chuva, não chuva forte, &lt;em&gt;braba&lt;/em&gt;, queria que fosse apenas &lt;em&gt;burrufu&lt;/em&gt;, aquela chuva miudinha, tranquila, aquela chuva que abre a madre dos céus e que anima o coração dos homens do campo, os poetas do ferro, enxadas e pás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse dia hei-de chorar a mais minúscula lágrima que durante esses anos venho guardando em um pote sagrado, pequeno, que vibra à mínima lembrança da terra amada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Almejo muito poder deitar-me embaixo da minha videira e embaixo da minha figueira e saber que, deveras, não há quem me faça tremer, como predisse o profeta. Quero deitar-me sob o céu estrelado, quero contar as estrelas até vê-las se tornando tímidas sob o frescor da manhã que se avizinha, quero sentir o beijo doce do frio, passando no meu rosto pesado, às custas do tempo longo longe dos afagos da mãe terra, quero sentir sono e fazer questão de não adormecer por completo, ficar nesse estado de embriaguez mental imposto pela sedução irresistível dos atributos daquele pedaço de chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Impossível é não sonhar em chegar em casa, nesse dia, que há-de ser chuvoso, &lt;em&gt;burrufu&lt;/em&gt;, reforcemos, e sentir o cheiro da chuva, cheiro de paz, cheiro de saudade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vou querer muito acordar cedo para ouvir as notícias no rádio de pilhas, velho, com antena de arame amassado, velhas notícias que hão-de encostar em recantos há muito não tocados do meu coração, dizendo em calma voz, Levanta filho, Abre os olhos que voltaste para casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Farei questão de dar vida às coisas mais simples, às coisas que foram para o ralo da vida, às coisas que fizeram a felicidade de um punhado grande de crianças, às coisas que realmente são importantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero me despir desse traje que a vida me obrigou a usar, feito de felicidades efémeras, passageiras, facilmente solúveis. Então usarei os trajes livres de futilidades, vestimentas simplórias, carregadas de significados, repletas de histórias, histórias de amor, de amizade, de felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero fazer poesia com as coisas da minha terra, quero poder usar palavras cheias de coisas por dizer, não apenas vocábulos ocos, vazios, cheios de coisa nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero usufruir daquela sensação de paz que só existe naquele chão, aquele sentimento de realização, de liberdade, de vida vivida, não apenas sobrevivência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até lá vou sonhando, quem sabe não consiga mudar essas tortas linhas que passaram a léguas de ilucidar sobre o que sinto, sobre o que guardo naquele pote pequeno, onde minhas lágrimas por chorar se cumulam, chamado coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8071802092859944222?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8071802092859944222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8071802092859944222' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8071802092859944222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8071802092859944222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/09/regresso.html' title='Regresso'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SNQaBW4RQeI/AAAAAAAAAEs/JzR1O3InJS4/s72-c/pensador.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-5624523276738451145</id><published>2008-09-02T15:05:00.004-03:00</published><updated>2008-09-02T15:48:51.524-03:00</updated><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SL2KJ0m74CI/AAAAAAAAAEM/QgHFQS-EA8A/s1600-h/serra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241497442674532386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SL2KJ0m74CI/AAAAAAAAAEM/QgHFQS-EA8A/s320/serra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando criança, eu passava as férias de verão inteiras em Chã, na casa de meu pai, junto dos meus primos, irmãos, tios, amigos. Era uma enorme ansiedade na hora de ir, Vai menino que ainda perdes esse carro. Tinha razão quem me deu a bronca, havia poucos carros que faziam o transporte e sempre iam cheios, muito cheios. Quando, espremido por entre as pessoas, caixas de peixe, móveis e o tudo o mais que se podia transportar, pensava que, Aqui não cabe nem mais uma agulha, aparecia sempre um passageiro com um cabra ou um bode fedido, que sempre ficava a meu lado, Muito obrigado.&lt;br /&gt;A saída era ao lado do mercado, sempre, por volta da uma hora com o sol já derretendo a ansiedade que alguns trouxeram de conhecer a cidade, passear no prisídio, comprar no mercado, Vamos embora condutor, Pelo amor de Deus, Vamos, e fomos.&lt;br /&gt;Até &lt;em&gt;Brandon&lt;/em&gt; a viagem não tinha muitas surpresas, a paisagem era a mesma, cor de poeira, amarga, povoada por alguns magros exemplares de cabras, comendo pedras, como aprenderam, para não perecerem.&lt;br /&gt;A partir daí melhorava um pouco. Em &lt;em&gt;Patin&lt;/em&gt; tinha sempre um bêbado para alegrar o povo que abarrotava o carro. Depois que todos riram tentei, sem êxito, saber o que se passara. Não consegui me mexer, de tão amassado que estava. Mal sabia que um passageiro menos cheiroso havia de ficar a meu lado, daqui a pouco e pelo resto da viagem.&lt;br /&gt;Daqui a pouco chegamos a &lt;em&gt;Txada&lt;/em&gt; &lt;em&gt;furna&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Cabeça&lt;/em&gt; &lt;em&gt;fundon&lt;/em&gt; onde alguem sempre dava um queijo fresco de leite de cabra, Um pedaço para cada um, Dá um pedacinho para o menino lá no fundo, Coitado, está todo amassado.&lt;br /&gt;O carro entrou, por fim, na caldeira amada, e eu desci. Os próximos trinta minutos de viagem seriam a pé, carregando o saco com as roupas, poucas, diga-se para conhecimento de todos, os doces para as crianças, a erva para minha avó fumar o &lt;em&gt;canhoto&lt;/em&gt; e a bola para jogarmos no final do dia. Sempre alguém vinha a meu encontro, meus primos e os primos de meus primos, querendo saber das novidades da cidade, dos doces, sejamos sinceros. Dos doces anos de minha infância tenho eu enormes saudades.&lt;br /&gt;No primeiro dia tinha muitos privilégios, quase nenhuma obrigação. Jantamos &lt;em&gt;djagacida&lt;/em&gt; &lt;em&gt;ku&lt;/em&gt; &lt;em&gt;leti&lt;/em&gt; e fomos todos dormir, juntos, no colchão de capa de milho esticado no chão da sala, embalados pelas histórias de outros reinos contados pelos mais velhos.&lt;br /&gt;De manhã todos são acordados pela avó, Acordem que o sol já vai alto, todos tomam o café e saem para a &lt;em&gt;lida, &lt;/em&gt;os meninos para cuidar dos animais e as meninas para catar feijão, lenha e cuidar da casa.&lt;br /&gt;Depois do almoço brincávamos um pouco de carrinho de lata e boneca de pano e depois íamos buscar água para os animais, Eles também são filhos de Deus, como diziam os mais velhos.&lt;br /&gt;A rotina da tarde era igual ao da manhã de hoje e o da noite era igual ao da noite de ontem, a não ser pelo jantar, que hoje é &lt;em&gt;papa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;ku leti&lt;/em&gt;, não &lt;em&gt;djagacida&lt;/em&gt;, O cardápio é variado, como se vê.&lt;br /&gt;Os três meses se passavam rapidamente e, antes que me atentasse a isso, era hora de voltar para a cidade, no mesmo carro, com as mesmas pessoas me amassando, não com o mesmo bode fedido, mas com um leitão igualmente fedorento a meu lado, Muito obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-5624523276738451145?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/5624523276738451145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=5624523276738451145' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5624523276738451145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5624523276738451145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/09/trajectos.html' title='Memórias'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SL2KJ0m74CI/AAAAAAAAAEM/QgHFQS-EA8A/s72-c/serra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8343069007974669685</id><published>2008-08-11T11:54:00.005-03:00</published><updated>2008-08-11T12:48:54.937-03:00</updated><title type='text'>Bonança</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SKBciz-_QsI/AAAAAAAAAEE/-4mnY9qcSl4/s1600-h/chuva_p.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233284520144224962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SKBciz-_QsI/AAAAAAAAAEE/-4mnY9qcSl4/s320/chuva_p.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Poucas coisas me fascinam tanto como a chuva. Acredito hoje ser isso culpa das muitas manhãs que eu passei deitado, olhando o mágico cenário produzido pelo aguaceiro caindo do céu, devagar, com calma, sempre em ritmo de marcha lenta.&lt;br /&gt;Na minha terra existem os 'profetas do tempo', que, baseando-se em sua experiência, juram que, Amanhã vai chover gente, Com certeza. Não com essa certeza toda, mas as previsões deixavam todos animados, rezando para que se cumprissem. Alguns garantiam a chuva &lt;em&gt;'falando&lt;/em&gt; &lt;em&gt;mantenha'&lt;/em&gt; logo cedo no dia seguinte, Claro está, Vê essa nuvem branca no cume do vulcão, o Capel?, Vejo, Pois, É sinal de chuva na certa, Queira Deus, Amém!&lt;br /&gt;No dia seguinte a neblina chegou galopando os muitos montes, restos de regurgitações do nosso querido vulcão, abarrotado de lavas e enxofre. É uma brancura total que cobre tudo, feito denso véu prateado, só sabemos da presença de outrém pelo barulho do ar saindo de suas ventas quentes ou pelo cheiro nauseabundo eliminado por orifício na outra extremidade do organismo que, os mais ingênuos, jurariam de pés juntos, tratar-se de odor proveniente de um cadáver em putrefação, Ingénuos eles, coitados. É culpa da batata doce.&lt;br /&gt;A névoa serve apenas de aviso, Corram logo, Façam o que têm que fazer, Vai chover, Vai chover, dizem na linguagem de névoas, com tanta certeza quanto o profeta do tempo.&lt;br /&gt;Dito e feito. Minutos depois abrem-se as comportas dos céus, com tanta veemência que parece que tudo vai ficar inundado, Mas não vai, diz minha avó, O arco-íris logo aparecerá para nos lembrar que dilúvio nunca mais teremos, Queira Deus, amém!&lt;br /&gt;No início ela começa tímida, acanhada, para logo em seguida mostrar sua fúria, sua potência, a força de algo que ficou algum tempo esperando para lavar a alma daqueles que dias antes estavam de bocas abertas para os céus, rogando a presença de sua senhoria a chuva.&lt;br /&gt;No finalzinho da tarde ela dá uma trégua, mas continua firme, constante, como lágrimas choradas por alguém solitário, nostálgico, longe demais de sua terra para se lembrar quão bom é o cheiro da chuva.&lt;br /&gt;Shhhhhhhhhhh, Não estou pedindo silêncio, é apenas o chiado da chuva lá fora misturado ao barulho que sai do pequeno rádio que alguém tenta sintonizar aqui dentro para saber as notícias, Chove muito nas ilhas, diz o locutor, Disso já sabemos, replica alguém dentro de casa. Desculpemos seu mau-humor, deve ser culpa do frio, saiu para brincar na chuva e agora está sem casaco, não há para todos, quem conseguir um é seu, ao menos por hoje.&lt;br /&gt;Jantamos todos, quietos. Para quê falar, se lá fora a chuva canta, afinada, sua canção de embalar, acalentando nossas turbulentas almas, Calma menino, Dorme, diz a chuva, tranquila, assim nesse ritmo. Dormirei, mas não agora. Dormirei apenas quando acabar de ouvir as histórias que minha avó conta, daquele tempo antigo, quando reinavam a seca e a fome nas ilhas, daquele tempo em que &lt;em&gt;Nhô&lt;/em&gt; &lt;em&gt;lobo&lt;/em&gt; foi para o sul e &lt;em&gt;Chibinho&lt;/em&gt; foi para o norte, à procura de comida, daquele tempo em que minha avó encontrou um cordão de ouro e o trocou por dois litros de feijão, daquele tempo em que se colocava dois litros de água em um punhado de feijão, Todos hão-de comer, daquele tempo em que comer era privilégio de poucos, mas necessidade de todos, Pelo amor de Deus senhor, só um pedaço de pão, daquele tempo...daquele tempo...Shhhhhhhhhhhhh, peço silêncio, as crianças dormiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8343069007974669685?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8343069007974669685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8343069007974669685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8343069007974669685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8343069007974669685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/08/poucas-coisas-me-fascinam-tanto-como.html' title='Bonança'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SKBciz-_QsI/AAAAAAAAAEE/-4mnY9qcSl4/s72-c/chuva_p.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-7848107999588303469</id><published>2008-07-28T12:10:00.010-03:00</published><updated>2008-07-28T13:51:17.443-03:00</updated><title type='text'>Sentimentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SI30ga8CN2I/AAAAAAAAAD8/_G9shKCsf-k/s1600-h/Nevoa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228103580271130466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SI30ga8CN2I/AAAAAAAAAD8/_G9shKCsf-k/s320/Nevoa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dizem que 'saudade' é uma palavra que só existe na língua portuguesa, não sei, só sei que &lt;em&gt;saudade&lt;/em&gt; é muito mais que uma palavra, é um sentimento, um ideal, é uma força capaz de deixar deprimido o mais auto-confiante homem e, simultaneamente, é a força motivadora capaz de nos fazer transpor barreiras, por nós, julgadas intransponíveis, invioláveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada um de nós, filhos de Burcan, sentimos saudades de alguma coisa de nossa terra, rica em suas peculiaridades, ímpar em suas singularidades. Eu uso a saudade para nunca me esquecer de quão bom é ser filho de uma terra assim, de quão gratificante é abrir a boca e dizer que, Sim, Sou sampadjudu di Fogo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sinto saudades de quase tudo o que vi e vivi no Fogo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saudades de quando eu ia ao jardim de infância, início de minha vida social, da correria desenfreada das crianças na hora da saída, lá vão elas já perto do Hotel Xaguate, daqui a pouco estarão atravessando ponte trindade e seguirão pelas ruas que desaguam quase todas na ponte referida, rumo a seus lares. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui crescendo e comigo a saudade, agora já do tempo de &lt;em&gt;Skola&lt;/em&gt; &lt;em&gt;grandi&lt;/em&gt;, não das aulas, eu almejava mesmo era a hora do recreio, para jogar bola com as turmas rivais. Nós íamos sem medo, afinal, &lt;em&gt;Macaquin&lt;/em&gt; era nosso defesa, vez por outra ele marcava um golo e tínhamos todos que esperar que ele regressasse de sua volta olímpica ao redor da escola, Sabe como é, estrela é estrela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No ciclo as coisas mudaram um pouco, começavam as paixonites, os primeiros amores de nossas vidas, mas não gosto muito de falar desses tempos, pois ainda chorava quando meus irmãos falavam sobre minhas &lt;em&gt;piquenas&lt;/em&gt;, Que &lt;em&gt;piquena&lt;/em&gt; rapaz, ele é pato, Mãe o Tó é pato, e todos davam estrondosas gargalhadas. Era pato mesmo, Fazer o quê?!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tempo do licéu deve ter sido a melhor época da minha vida, acredito nisso porque passou tão rápido, voando. Nem por isso as coisas então vividas foram mais promíscuas, elas foram marcadas de forma indelével no meu hipocampo, aquele pedacinho do cérebro onde armazenamos as memórias, diria assim querendo falar plebeiamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No licéu as menininhas já arrancavam nossos suspiros, já nos deixavam arrasados quando as víamos nas garras dos garotos mais velhos, mas também já sabiam nos levar ao céu quando, de forma esperta, sempre à base da sedução juvenil, nos arrancavam os poucos centavos que tínhamos para comprarem algo para elas. Hoje desconfio que alguns de nós patrocinamos prazeres materiais não apenas a elas, mas, infelizmente, aos seus predadores namorados. Quando desconfiávamos disso tirávamos tais meninas do nosso coração destroçado na hora, para sempre, Até parece, Me angana que eu gosto, parecia que sussuravam isso, atrás do irónico sorriso, esboçado por aqueles lábios que nos torturavam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sinto saudades até hoje, me emociono, fico arrepiado quando me lembro dos últimos dias passados naquele licéu, amado, querido, charmoso licéu de São Filipe. Nossas vidas levar-nos-iam para rumos diferentes, Fulano conseguiu bolsa para Portugal, Sicrano vai para o Brasil, congratulavam-se os não contemplados, como se eles mesmos tivessem garantido a bolsa de estudos. Eles mal sabiam que os verdadeiros felizardos são eles, foram contemplados com o grande privilégio de NUNCA sentirem o sabor amargo da saudade de sua terra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Manhã cinzenta, a névoa dá tons de prata a tudo a que ela toca, 7:00 horas, Chã das Caldeiras&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os que madrugam já estão com as tarefas adiantadas, cabras já ordenhadas, leite já pronto para o café, as galinhas já enchem o papo, grão a grão, como, sabiamente, diz o ditado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao redor da fogueira, providencialmente acesa por alguém, todos se reúnem, com as canecas de café fumegantes numa mão e o pedaço de pão na outra, a prosa segue alegre, sobre coisas corriqueiras, sobre a chuva que caiu ontem, sobre a sementeira para daqui a pouco, sobre a festa de logo mais, nunca sobre saudade, saudade de quê?, saudade pra quê?, Não, na minha terra a saudade não impera, na minha terra nostalgia é apenas uma palavra, nada mais. Essa é a maior saudade que eu tenho, é isso que me deixa agoniado, é isso que me faz agonizar. Saudade é muito mais que uma simples palavra, é um sentimento, um ideal...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele abraço!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-7848107999588303469?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/7848107999588303469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=7848107999588303469' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/7848107999588303469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/7848107999588303469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/sentimentos.html' title='Sentimentos'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SI30ga8CN2I/AAAAAAAAAD8/_G9shKCsf-k/s72-c/Nevoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-5745984104210474801</id><published>2008-07-20T21:24:00.007-03:00</published><updated>2008-07-20T21:44:32.444-03:00</updated><title type='text'>Caras de Djarfogo II</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPat-Jze6I/AAAAAAAAAD0/lGosIDGdPE8/s1600-h/cabras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225260475992996770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPat-Jze6I/AAAAAAAAAD0/lGosIDGdPE8/s320/cabras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Trânsito intenso na rodovia, hehe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPaH_RXb6I/AAAAAAAAADs/gRaEyUf_FfQ/s1600-h/Casa+pai.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225259823458119586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPaH_RXb6I/AAAAAAAAADs/gRaEyUf_FfQ/s320/Casa+pai.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A pedidos, Casa Nova di Pai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZqfcrNcI/AAAAAAAAADk/0AtQ4u2gfN4/s1600-h/Pris%C3%ADdio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225259316699411906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZqfcrNcI/AAAAAAAAADk/0AtQ4u2gfN4/s320/Pris%C3%ADdio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ah sodadi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZaqpCYMI/AAAAAAAAADc/8T2ydgqWbso/s1600-h/djabraba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225259044826144962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZaqpCYMI/AAAAAAAAADc/8T2ydgqWbso/s320/djabraba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Djabraba, sempre nos olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZHGnmC8I/AAAAAAAAADU/T9DYNkBfTy4/s1600-h/botes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225258708738902978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPZHGnmC8I/AAAAAAAAADU/T9DYNkBfTy4/s320/botes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Botis na Fontibila&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPYmkKc45I/AAAAAAAAADM/nr3z5g4_-3A/s1600-h/salinas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225258149734048658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPYmkKc45I/AAAAAAAAADM/nr3z5g4_-3A/s320/salinas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Salinas, toda charmosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Aquele Abraço!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-5745984104210474801?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/5745984104210474801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=5745984104210474801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5745984104210474801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/5745984104210474801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/caras-de-djarfogo-ii.html' title='Caras de Djarfogo II'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIPat-Jze6I/AAAAAAAAAD0/lGosIDGdPE8/s72-c/cabras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-2969516619236273640</id><published>2008-07-18T22:14:00.004-03:00</published><updated>2008-07-18T23:06:01.129-03:00</updated><title type='text'>Outras coisas da minha terra!</title><content type='html'>Saudades. Muitas saudades.&lt;br /&gt;De tudo, de todos, de cada mínima coisa da minha terra.&lt;br /&gt;Sinto saudades do tempo em que eu ia à padaria comprar pão na &lt;em&gt;Guta&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;titia&lt;/em&gt; nos dias de semana e na '&lt;em&gt;Cá&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Augusta'&lt;/em&gt; nos finais de semana. Saudades da fila, cada um esticando o máximo que pode os braços, brigando pelas últimas unidades do tão disputado pão, literalmente de cada dia. Que dizer então dos dias em que faltava farinha na ilha e todos acordavam cedinho, 'antes terral risca', estrelas ainda vivas no céu, para sairem vitoriosos com alguns exemplares do cobiçado alimento?! O sentimento de vitória, de dever cumprido, caia em cima de nosso ego, massageando-o ternamente.&lt;br /&gt;Eu me lembro da primeira vez que comi gelado (sorvete) em minha vida. Já era garoto crescido, nos meus bons 11 anos. Quebrei o cofrinho, juntei os trocados e fui até a padaria C&lt;em&gt;ulú&lt;/em&gt;. Comprei um de chocolate e baunilha e me deliciei com aquilo. A casquinha, comestível obviamente, eu joguei no contentor de lixo, coisas de um ignorante em assuntos de sorveteria. Achei que fosse de papelão!&lt;br /&gt;Sonho, de olhos abertos, e vejo as mulheres saindo de &lt;em&gt;aguadinha&lt;/em&gt;, com as latas de água na cabeça, equilibrando-se, indo e voltando, indo e voltando, inúmeras vezes. Não dá, tampouco, para esquecer dos carros de &lt;em&gt;Nonoti&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Txoti&lt;/em&gt; nem do burro di &lt;em&gt;Txikin&lt;/em&gt;, carregadinhos de recepientes com água. Os carros sempre tinham que ser empurrados se quisessem encontrar, novamente, o caminho de casa. O burro de Txikin não, esse era potente, não era um simples &lt;em&gt;cambradal&lt;/em&gt; de água que o faria patinar, fique isso claro vendo-o galopando e soltando coices, mesmo carregadinho. Txoti sempre pedia a forcinha, carro está sem motor de arranque gente, sabe como é. Sabemos. Todos davam aquela forcinha camarada e lá ele ia, feliz no seu rumo. Um dia ele pediu a costumeira força e quando a rapaziada se levantou para empurrar, calças e mangas enroladas já, ele disse, calma gente, o carro hoje tem motor de arranque. A novidade foi dada com pompa e circunstância. Todos riram felizes.&lt;br /&gt;Mais em baixo, no mercado, o burburinho se escuta de longe, cada um vendendo o que tem, Meri e Mamazinha os legumes e outros não tão conhecidos também. É época de uvas, da minha terra, evidentemente, como gostava de dizer o professor Alfa, evidentemente, põe-te pra rua, evidentemente. Na parte de fora os pescadores vendiam seus peixes frescos, &lt;em&gt;garopa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;txitxarro&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;fanhangon&lt;/em&gt;, fanhangon não, fanhangon só para um amigo meu de Tchan que o pescou aos montes e que acreditou piamente que fosse &lt;em&gt;'garopinha'&lt;/em&gt;. Bobo ele. Bobo eu também, que fui comprar, Serra ou atum meu filho, como frisava minha mãe, e que trouxe, ludibriado por um pescador mal-intencionado, gudja. Só eu para não ver o tamanho daquele bico, Só você mesmo meu filho, palavras da minha mãe. Depois daquele episódio aprendi que serra, por incrível que pareça não tem bico, que serra tem carne branca e que atum tem carne vermelha, Tá bom meu filho, tá bom.&lt;br /&gt;Na &lt;em&gt;sucupirinha&lt;/em&gt;, na cruz de paz, roupas estão penduradas, cada uma mais colorida e chamativa que a outra. As sapatilhas lindíssimas, Quando receber a quinzena vou comprar aquele Reebok, recebeu, comprou e ficou sem dinheiro, teve que ir de boleia para &lt;em&gt;fora&lt;/em&gt;. Mas de Reebok novo no pé, evidentemente, eu sou matemático, evidentemente, como dizia aquele professor.&lt;br /&gt;Passo pelo ciclo e vejo &lt;em&gt;Nhô&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Fidjin&lt;/em&gt;, tomando conta do patrimônio. Chego no licéu e vejo Valdomiro no portão, Sem uniforme você não vai entrar, se quiser &lt;em&gt;ba&lt;/em&gt; &lt;em&gt;kexa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Beja.&lt;/em&gt; Lá dentro vejo Tati, cercando todo ser vivo do sexo feminino, Homem não pode entrar aqui, se quiser &lt;em&gt;ba&lt;/em&gt; &lt;em&gt;kexa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Beja&lt;/em&gt;, ele não chegava a dizer isso, mas com certeza tinha vontade.&lt;br /&gt;Umas voltinhas depois, saio do licéu e vejo um certo &lt;em&gt;suzuki&lt;/em&gt; branco imediatamente em frente ao buraco na parede do licéu, feito por ele mesmo, pelo motorista, sejamos justos. Esse suzuki é ferro forte, furou a parede, só não furou o pára-choque do carro de &lt;em&gt;Vivico&lt;/em&gt; quando se esbarraram na subida santa filomena.&lt;br /&gt;Já é noitinha e já é manhã, outro dia.&lt;br /&gt;Todos acordam cedo para comprar pão na padaria, antes de terral risca, estrelas ainda vivas no céu. Há falta de farinha na ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-2969516619236273640?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/2969516619236273640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=2969516619236273640' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2969516619236273640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2969516619236273640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/outras-coisas-da-minha-terra.html' title='Outras coisas da minha terra!'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-7347296271810555365</id><published>2008-07-18T18:11:00.010-03:00</published><updated>2008-07-19T00:02:26.376-03:00</updated><title type='text'>Assim disse o Poeta</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIFYYOEyBII/AAAAAAAAADE/htWJUx3TMqU/s1600-h/poesia1734img.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224554215844742274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIFYYOEyBII/AAAAAAAAADE/htWJUx3TMqU/s320/poesia1734img.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A PAZ DE COISAS SELVAGENS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Quando o desespero do mundo me invade...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Deito-me onde o pato selvagem descansa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;em sua beleza, sobre a água&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;e onde a garça azul se alimenta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;E entro na paz de coisas selvagens&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;que não regulam suas vidas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;com presságios de tristeza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;E venho à presença da água parada&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;e sinto sobre mim as estrelas apagadas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;aguardando a noite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;E, por um momento, repouso na graça do mundo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;e sou livre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;William Blake (?)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-7347296271810555365?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/7347296271810555365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=7347296271810555365' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/7347296271810555365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/7347296271810555365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/assim-disse-o-poeta.html' title='Assim disse o Poeta'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SizAIwapvC0/SIFYYOEyBII/AAAAAAAAADE/htWJUx3TMqU/s72-c/poesia1734img.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-4148462283681158018</id><published>2008-07-11T18:27:00.009-03:00</published><updated>2008-07-11T19:36:09.172-03:00</updated><title type='text'>Caras de Djarfogo I</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHffBzXCyHI/AAAAAAAAAC8/U1H9e8jhKwY/s1600-h/cabo+verde+3+369.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221887515019102322" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHffBzXCyHI/AAAAAAAAAC8/U1H9e8jhKwY/s400/cabo+verde+3+369.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Deus, deveras, pintou aqui sua mais bela obra de arte. Fusão perfeita de cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfcPga3suI/AAAAAAAAAC0/4jlEVs9FFV4/s1600-h/pico+e+luna+piena+41.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221884451918164706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfcPga3suI/AAAAAAAAAC0/4jlEVs9FFV4/s400/pico+e+luna+piena+41.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua se enamorou! A noite inteira brilha, radiante, desenhando a perfeita silhueta de seu amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfbJXFAIDI/AAAAAAAAACs/TVfaOC6Pyl8/s1600-h/Nubi+sulla+Bordeira+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221883246819680306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfbJXFAIDI/AAAAAAAAACs/TVfaOC6Pyl8/s400/Nubi+sulla+Bordeira+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A névoa traz com ela o cheiro doce do céu, traz nela a materialização de nossa esperança, traz dentro dela a chuva que nos lava a alma.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfZB9l4QSI/AAAAAAAAACk/23MVKll5mVo/s1600-h/cabo+verde+3+436.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221880920695914786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHfZB9l4QSI/AAAAAAAAACk/23MVKll5mVo/s400/cabo+verde+3+436.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assim amanhece em minha terra, assim ela me olha, sem camuflagem, sem maquiagem, linda, simplesmente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-4148462283681158018?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/4148462283681158018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=4148462283681158018' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4148462283681158018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4148462283681158018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/caras-de-djarfogo-i.html' title='Caras de Djarfogo I'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_SizAIwapvC0/SHffBzXCyHI/AAAAAAAAAC8/U1H9e8jhKwY/s72-c/cabo+verde+3+369.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8636759678717117404</id><published>2008-07-10T12:00:00.006-03:00</published><updated>2008-07-10T13:04:05.110-03:00</updated><title type='text'>Cavalos, cavaleiros e afins</title><content type='html'>Quando criança, quem de nós não sonhou em ter um cavalo igual a 'Dola", 'Russin' ou até mesmo o 'Foguete'? Eu sonhava, sonhava muito. Adorava ir ver a corrida de cavalos, &lt;em&gt;odja dola ta bá la, spia la.&lt;/em&gt; Até hoje me emociono.&lt;br /&gt;Finais do mês de Abril. Fogo, São Filipe.&lt;br /&gt;No início da tarde já começa o burburinho de pessoas chegando no largo de &lt;em&gt;cruz&lt;/em&gt; &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; &lt;em&gt;passu&lt;/em&gt;, oriundas dos mais diversos lugares. A maioria para ver a corrida de cavalos, Russin vai ganhar, que nada, vai ganhar é o Dola, cuidado com Foguete este ano, que o &lt;em&gt;Xóxó&lt;/em&gt; o levou para treinar na areia. Mas Dola é sempre Dola, come mancarra com açucar. Eis o diferencial.&lt;br /&gt;Alguns vão de carro para a pista de corridas, improvisado no lugar que antes fora um aeródromo e hoje é um aeroporto (será?). A grande massa de gente vai a pé mesmo, andando todos apressados à procura do melhor lugar, embaixo de um &lt;em&gt;pé&lt;/em&gt; &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; &lt;em&gt;spin&lt;/em&gt;, quem me dera, tomara que eu consiga um lugar com sombra, sonhavam alguns. Eu não estava nem pensando nesses luxos, queria apenas ver os cavalos disputando orelha a orelha cada metro de chão. Sol na cabeça, fome no corpo, garganta seca, salivando apenas quando alguém passava chupando &lt;em&gt;fresquinha&lt;/em&gt; ou bebendo laranjada. Só isso me fazia tirar os olhos dos cavalos.&lt;br /&gt;Alguns apostavam dinheiro, cerveja, drops, qualquer coisa, o prazer não advinha do prémio a ser conquistado, apenas do simples facto de ganhar algo. Os mais malandros costumavam apostar com as pessoas que eram principiantes na coisa. Sempre tinha algum safado que estimulava o desavisado a apostar &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; &lt;em&gt;cabal&lt;/em&gt; &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Txotxo&lt;/em&gt;, que, como sempre, saía igual a uma bala e que, como todos os mais experientes tinham ciência, inexoravelmente se desviava para a &lt;em&gt;rubera.&lt;/em&gt; De vez em quando o perdedor descobria a tramóia e apareciam olhos roxos e orelhas vermelhas, geralmente na cara do pilantra que o levara a apostar no cavalo errado.&lt;br /&gt;Depois que começaram a chegar os cavalos de São Vicente para participar das corridas, deixei de achar tudo aquilo engraçado, pois que graça tem ver um cavalo enorme ganhar de uns pangarés quase raquíticos?&lt;br /&gt;Até hoje eu me lembro dessa época, quando os cavalos que nos faziam sonhar eram os que mencionamos no início. Não foi sem razão que fizemos questão de chamá-los por nomes próprios, com letra maiúscula, evidentemente.&lt;br /&gt;Nas ruas brincávamos de corrida de cavalos, arrebentávamos os melhores ramos das árvores para serem nossos "cavalos". Na aguadinha ninguém se atrevia a quebrar galhos, pelo menos desde o dia em que um certo guarda chamado intensionalmente de 'Prancheta' nos mostrou o &lt;em&gt;bico&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;toro &lt;/em&gt;que ele usaria, &lt;em&gt;um na cada mama cadera&lt;/em&gt;, como ele fazia questão de nos dizer, caso nos atrevessemos a desrespeitar suas ordens.&lt;br /&gt;Antes de chegarem os cavalos, quem fazia a festa eram os burros, pois na terra de cegos o caolho é rei. Dois eram praticamente &lt;em&gt;stars&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;Burro&lt;/em&gt; &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Txikin&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Djigudjado&lt;/em&gt;, este último imortalizado em nossas memórias, desde o dia em que ele cravou os seus potentes dentes no dedo de um menino, acabando por arrancar-lhe a falange distal do polegar, menino esse que ficou até hoje conhecido como &lt;em&gt;Djigudjado&lt;/em&gt;, em memória daquele que o mutilou. Quem mandou enfiar a mão na boca de um burro faminto, exatactamente no momento em que ele &lt;em&gt;desqueixava&lt;/em&gt;?! '&lt;em&gt;Dja&lt;/em&gt; &lt;em&gt;desquexa'&lt;/em&gt;, passou a ser algo engraçado a partir dessa data, ao menos para os não mutilados, hehe.&lt;br /&gt;Minha mãe sempre me dizia e me fazia prometer que não tentaria apanhar os doces e &lt;em&gt;drops&lt;/em&gt; que os cavaleiros derrubavam na areia, no alto São Pedro, é muito feio meu filho, mas todos apanham mãe, não quero saber e ponto. Ponto sim, até o dia em que o maldito doce caiu a meus pés e tive apenas um trabalho, me abaixar para apanhá-lo, dois trabalhos na verdade, a primeira mencionada já foi e a segunda foi dar um grito ao sentir o chicote do cavaleiro estalando em meu lombo. Como são sábias as mães, pensava eu sentindo a ardência provocada em minha carne, pelo chicote do cavaleiro, de São Vicente, obviamente.&lt;br /&gt;São coisas que aconteciam quando a alegria da garotada era feita por &lt;em&gt;Dola&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Foguete&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Russin&lt;/em&gt; e até &lt;em&gt;Cabal&lt;/em&gt; &lt;em&gt;di&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Txotxo&lt;/em&gt;, até o momento em que ele se desviava para &lt;em&gt;rubera&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8636759678717117404?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8636759678717117404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8636759678717117404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8636759678717117404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8636759678717117404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/alegrias-cavalos-e-afins.html' title='Cavalos, cavaleiros e afins'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-4401591274163220437</id><published>2008-07-05T18:11:00.002-03:00</published><updated>2008-07-19T00:08:05.599-03:00</updated><title type='text'>Assim disse o poeta</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;ILHA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tu vives, mãe adormecida —&lt;br /&gt;nua e esquecida,&lt;br /&gt;seca,&lt;br /&gt;fustigada pelos ventos,&lt;br /&gt;ao som de músicas sem música&lt;br /&gt;das águas que nos prendem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilha:&lt;br /&gt;teus montes e teus vales&lt;br /&gt;não sentiram passar os tempos&lt;br /&gt;e ficaram no mundo dos teus sonhos&lt;br /&gt;— os sonhos dos teus filhos —&lt;br /&gt;a clamar aos ventos que passam,&lt;br /&gt;e às aves que voam, livres,&lt;br /&gt;as tuas ânsias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilha:&lt;br /&gt;colina sem fim de terra vermelha&lt;br /&gt;— terra dura —&lt;br /&gt;rochas escarpadas tapando os horizontes,&lt;br /&gt;mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias! &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Amílcar Cabral.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sem comentários!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-4401591274163220437?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/4401591274163220437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=4401591274163220437' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4401591274163220437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4401591274163220437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/ilha.html' title='Assim disse o poeta'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-3349206343329288886</id><published>2008-07-03T11:55:00.003-03:00</published><updated>2008-07-03T12:36:56.299-03:00</updated><title type='text'>Grilhões</title><content type='html'>Era uma vez um Rei. Sábio como só os Reis sabem ser, ele fazia de tudo visando o bem de seu povo. As crianças em seu reino eram livres, brincando nos bosques, seguras de que ao regressarem, cansadas, a seus lares, estariam lá seus pais, que os fariam dormir, embaladas por palavras de amor.&lt;br /&gt;Era uma vez alguém que achou que esse Rei não era digno de sua majestade e decidiu tirá-lo do seio de seus súditos.&lt;br /&gt;Era uma vez um Rei que foi humilhado e vendido como escravo. Nessa vez, alguém achou que o rei, agora escravo, precisava ser 'civilizado'.&lt;br /&gt;Era uma vez dez punhados de terra que abrigaram um escravo 'civilizado', cujo espírito de monarca jamais dele se evadiu. Esses dez grãos de terra viram pela primeira vez as cores de grilhões, viram pela primeira vez a alma de um humano humilhado.&lt;br /&gt;O que diria hoje, esse Rei, se ele olhasse, incontáveis eras depois, para a terra que bebeu de seu sangue?&lt;br /&gt;Nossa mãe completa agora 33 anos de vida vividos, sem o peso dos grilhões do colono invasor. Quanto pesa isso ainda nos punhos de nosso povo?&lt;br /&gt;Nossa terra está hoje dando seus primeiros passos, engatinha de forma acanhada rumo à sua independência. Mas sempre que continuarmos copiando cada passo de nosso colono estaremos mostrando com que lentidão queremos fazer brilhar sobre nós o sol da liberdade, irradiando em nossas faces o calor da independência.&lt;br /&gt;Todos nós estamos prenhes de idéias, abarrotados de sonhos. Sonhar é preciso. Precisamos sonhar com mais veemência com Cabo Verde. Nossas idéias serão a alavanca que transportará Cabo Verde, com segurança, para os anos da maturidade. Seremos, cada um de nós, a consciência social de nossa terra. Nossos pais esperam isso de nós. Por isso estamos labutando hoje longe de casa, aprendendo como trilhar com confiança o caminho das pedras.&lt;br /&gt;Quando comemorarmos mais um ano de independência de Cabo Verde, meditemos em como estamos retribuindo a nossa terra tudo o que ela nos deu.&lt;br /&gt;Não queremos mais entre nós aqueles que nos espoliam física, material e intelectualmente. Não somos propriedade privada de ninguém. Somos senhores de nosso punhado de nada.&lt;br /&gt;Queremos que aqueles que tomam a dianteira em nos representar sejam dignos disso, que mostrem por que merecem nossa confiança, a confiança de um povo soberano.&lt;br /&gt;Já fizeram de nós a terra da desgraça, onde homens livres perderam a última gota de dignidade que possuiam, arrastados por grilhões, que até hoje mancham de vermelho a consciência de cada um de nós.&lt;br /&gt;Sejamos agora a terra de homens livres, pensantes, que não buscam mais na evasão o acalento para suas almas.&lt;br /&gt;Sejamos dignos de ser há 33 anos LIVRES, para vivermos a nosso jeito, &lt;em&gt;morabezamente&lt;/em&gt;, recebendo a todos com respeito, quem sabe não temos dívidas a pagar com os, por nós, chamados &lt;em&gt;Mandjacos&lt;/em&gt;, quem sabe um deles não seja filho, neto ou bisneto daquele Rei, quem sabe.&lt;br /&gt;Nossa terra há de saber.&lt;br /&gt;Feliz 5 de Julho!&lt;br /&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-3349206343329288886?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/3349206343329288886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=3349206343329288886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3349206343329288886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3349206343329288886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/07/grilhes.html' title='Grilhões'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-8776886804136561475</id><published>2008-06-30T11:48:00.003-03:00</published><updated>2008-06-30T12:48:36.175-03:00</updated><title type='text'>Mané Nharmun</title><content type='html'>&lt;p&gt;Afinal, é &lt;em&gt;mané&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nharmun&lt;/em&gt; &lt;em&gt;tem&lt;/em&gt; &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; &lt;em&gt;bodi&lt;/em&gt; &lt;em&gt;matxu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;capado&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; &lt;em&gt;bodi&lt;/em&gt; &lt;em&gt;motxu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;capado&lt;/em&gt;? Essa discussão aconteceu, em outras eras, quando criança, e na noite de ano novo, quando eu e meus amigos havíamos saído para 'tirar boas festas'.&lt;br /&gt;Bom, eu, como garoto criado no interior, sempre soube que bode era &lt;em&gt;matxu, &lt;/em&gt;sempre não, sejamos sinceros, mas pelo menos desde aquela tarde em que eu pedi ao meu pai para ordenhar o bode ao ver suas enormes "tetas" penduradas, não são tetas meu filho, que seriam então, pensava eu. Depois desse dia, sabia eu que um bode, obrigatoriamente é matxu, que o digam suas enormes "tetas" penduradas.&lt;br /&gt;Sem dúvidas quanto à masculinidade do bode de mané, nharmun, continuamos a tirar boas festas, ganhando míseros trocados, como são txipes as pessoas da cidade, pois é, 5 escudos para dividirmos por nós 5 também não dá, roscon são as pessoas de Chã das Caldeiras que nos dão batata, galinha, vinho e o mais que tiverem, é?, é.&lt;br /&gt;O dia anterior à noite de ano novo também é repleto de coisas boas. O preparo dos instrumentos qua haveremos de usar na nossa saga de migalhas de centavos é uma alegria só. Primeiro os chocalhos, feitos de lata de malta, cheia de cascalhos ou de um pedaço de pau, com tampinhas de cerveja cravadas, fixas por umprego roubado na oficina de &lt;em&gt;Torrado&lt;/em&gt;. O violão não é para quem quer, é para quem pode, não comprar, mas fazer, geralmente filho ou afilhado de um carpinteiro.&lt;br /&gt;Às vezes, em vez de dinheiro ou pedaços de bolo, ganhávamos umas pragas rogadas por alguma mãe cujo bebé foi acordado, pelo desafinado coro, na hora de &lt;em&gt;pel ba kumê mandjoka seku na padjigal. &lt;/em&gt;Culpa do mané, foi ele quem pediu &lt;em&gt;um ano más midjoradu.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Em Chã das Caldeiras, como disse na hora de reclamar dos 5   escudos ganhos, a dividir por 5 cabeças, praticamente nada nas fora para cada um, aqui as coisas são diferentes, a noite é mais recheada de bens materiais. Também, mané nharmun segue embriagado de alegria, ou seria manecon?, ao embalo das cordas afinadas do violão, do som seco do recu-recu, das vozes mais soltas, culpa da bebida inebriante.&lt;br /&gt;Ao acordarmos, nós, sim porque muita gente nem dormiu, esperando amanhecer para chegar na casa do padrinho, vamos todos pedir &lt;em&gt;bençon&lt;/em&gt;, bom dia, bom anos, boas festas, dizemos, Deus txiganu otanu ma dia doji, ku paz, ku gosto, ku alegria, sem num brigonha des mundo, respondem os pais e/ou padrinhos.&lt;br /&gt;Naquela épóca eu gostava mais do que vinha a seguir à benção proferida, geralmente, moedas tilintantes, que pouco depois eu gastaria em &lt;em&gt;drops&lt;/em&gt; e que meus amigos da cidade gastariam em bombinhas e aluguéis de bicicleta no prisídio. Uns faturam mais alugando suas bicicletas novinhas, outros faturam apenas quando se dão por estouradas as rodas das novinhas bicicletas dos outros, foi o irmão daquele menino da bicicleta velha que pôs &lt;em&gt;ambrodju&lt;/em&gt; no chã, lamenta-se alguém. Paciência. Quem não tem mãos coça-se como pode. Espere agora para o próximo ano.&lt;br /&gt;Tomara, realmente, que o ano novo chegue, como disse minha avó, com paz, gosto e alegria, sem nada do que se envergonhar.&lt;br /&gt;Posto isso, ratificamos que o bodi do mané é motxu, não tem chifres. Redundante seria cantarmos que ele é matxu, pelo menos para mim seria algo nesse sentido, não tivesse visto o tamanho dos seus argumentos, aqueles pendurados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aquele abraço!&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-8776886804136561475?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/8776886804136561475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=8776886804136561475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8776886804136561475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/8776886804136561475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/06/man-nharmun.html' title='Mané Nharmun'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-172590746437004985</id><published>2008-06-25T12:08:00.003-03:00</published><updated>2008-06-25T12:53:48.416-03:00</updated><title type='text'>Charmosa Cidade</title><content type='html'>A mais linda entre as cidades. Esta é São Filipe, minha terra, a mãe de todos os meus sonhos.&lt;br /&gt;Acanhada, ela olha sempre para longe, para o imenso oceano, tão azul quanto os sonhos dos que nela moram, sempre à espera que um navio traga uma esperança distante, um sonho há muito esquecido.&lt;br /&gt;Quisera eu que fosses mulher, linda, pois assim todos os teus filhos a ti dedicariam os seus mais perfeitos versos, escritos sempre sob a fúria pujante da saudade.&lt;br /&gt;Difícil é não sentir saudades de tuas pracinhas lindas, arrumadas de forma a que suas imagens se entranhem no mais profundo giro de nossos cérebros.&lt;br /&gt;Teu cheiro, numa manhã de chuva, sempre há de estimular cada receptor olfativo existente no mais profundo do nosso inconsciente.&lt;br /&gt;É tudo perfeito.&lt;br /&gt;É manhã. Já os carros começam a chegar pelas poucas e estreitas ruas que desembocam quase todas no largo de Cruz de Paz. E todos sentem a paz da cidade, acolhendo cada um como filho amado, repassando coragem para enfrentar mais um dia cheio, de trabalho e alegria.&lt;br /&gt;Meio-dia. As crianças acabam de sair das escolas, correm livres pelas ruas. Os adolescentes saem do licéu, mas nem todos seguem para suas casas, alguns esperam os carros que os levarão de volta para seus lares no interior, outros ainda vão para o prisídio encontrar seus amores, os seus únicos amores, até que descubram que vários outros únicos amores hão de aparecer em suas vidas. Nesse tempo que passou, acelerado por entre os muitos beijos apaixonados, passam outros alunos que entrarão agora à tarde, vamos rápido que o sino já tocou e o chefe de turma nos marcará falta de atraso, dizem uns aos outros, mesmo sem palavras.&lt;br /&gt;Final do dia. Para alguns, a hora mais esperada. É a hora de dar vida à paixão escondida, é o momento de ganhar coragem para se declarar ao seu amor. Não perca tempo, olha para os lados e verás a cara de felicidade dos muitos que já se declararam e agora, na parte mais escura do 'polivalente', se entregam sem medo aos beijos e a outras coisas mais, das quais não podemos falar agora, olha a hora. Nós não. Eles sim, principalmente ele, que há muito vem fazendo propostas mais assanhadas a ela, que louca de vontade está, mas que resiste bravamente. Puro charme. Não demorará muito e todos nós ouviremos suas histórias picantes nos intervalos no licéu. Sempre há o que fica escondido vendo tudo, graças a Deus, pois sem esses o que seria de nós, 'patos' inveterados?! Esses são nossos verdadeiros hérois.&lt;br /&gt;As mulheres de São Filipe sempre intimidaram a maioria de nós adolescentes, elas são tão desinibidas, sempre dois ou três passos na nossa frente. Por isso nós nutríamos um ódio latente, não apenas por elas, principalmente pelos garotos mais velhos, os sonhos de consumo delas, esses 'fumadores de padjinha', como os chamávamos, na tentativa infrutífera de nos vingar. Impossível, eles sempre namoravam as mais desejadas e, necessariamente, desejáveis.&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que começamos a reparar mais na mulheres do interior. Não por serem menos belas, elas são lindíssimas. Mais até que as da cidade. Talvez por terem um charme natural, não camuflado pela máscara das mulheres da cidade. Hoje acho que esse charme advém da impressão intrínseca de ingenuidade que elas carregam. Privilégio delas. Quem as conhece mais intimamente diz que, em boa verdade, é só impressão, que os ingénuos somos nós os homens. Por isso desisti de tentar entender as mulheres, temos que aceitá-las como são. Deus, depois que fez a mulher, olhou para sua obra e viu que era tudo '&lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; &lt;em&gt;bom'&lt;/em&gt;. Quem somos nós para discordar?!&lt;br /&gt;Começa outro dia. É manhã. Já os carros começam a chegar pelas poucas e estreitas ruas...e assim desenrola a vida na mais charmosa das cidades, São Filipe, a mãe de todos os meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-172590746437004985?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/172590746437004985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=172590746437004985' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/172590746437004985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/172590746437004985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/06/charmosa-cidade.html' title='Charmosa Cidade'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-2853173052413769254</id><published>2008-06-18T12:10:00.002-03:00</published><updated>2008-06-18T12:39:14.951-03:00</updated><title type='text'>POST-MORTEM</title><content type='html'>Homenagens são lindas, emocionantes, marcantes...mas eu sempre me pergunto por que a maioria delas é feita apenas quando o homenageado morre, quando esse não pode mais agradecer pelas palavras a ele dirigidas, quando ele não mais pode chorar ou até esboçar um sorriso ao concordar com o que está sendo dito?!&lt;br /&gt;Era uma vez um menino nascido e criado nos subúrbios da cidade de Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde. Igual à maioria dos outros meninos pobres, era feliz com o pouco que tinha...o carrinho de lata, a bola de meia, o cão magro, mas muitos amigos, família grande e feliz e muitos e lindos sonhos. Vou ser médico quando crescer - dizia ele aos amigos. Depois de todos rirem muito, continuaram cantando 'mané nha 'rmun' e pedindo 'boas-festas' nas casas dos vizinhos. Era noite de ano-novo.&lt;br /&gt;E chegou o ano novo e com ele  renovação das esperanças, este ano há de ser melhor, vai chover mais, meus filhos vão continuar estudando, hei de começar a trabalhar, pensava em voz alta a mãe do menino, achando, talvez, que pensando em voz alta seus pensamentos chegariam mais rápido aos ouvidos de Deus.&lt;br /&gt;Muitos 'manés nha r'muns' depois o menino, homem agora, desculpem o acto falho, conseguiu o que queria. Entrou numa faculdade de medicina, longe de casa, longe da família, longe dos amigos. Mas ele não deve chorar agora de saudade, afinal de contas, neste lugar onde ele se encontra nem existe a palavra saudade nos dicionários. Se chorasse não valeria a pena todo o sacrifício que ele fez, estudar no livro cheio de mofo, na claridade da lua que entrava pelas frestas da janela do quarto, abarrotado de irmãos, dormindo no colchão de palha estirado nho chão. Não hei de chorar, assegura-se ele.&lt;br /&gt;Dois longos anos depois, ele se encontrava de volta à terra, não de férias, mas definitivamente, às custas de problemas de saúde, oriundos talvez, da infância pobre, alimentação precária, desnutrição quem sabe, a que a maioria de nós foi sujeita em nossas míseras casas.&lt;br /&gt;Mas ele não abandonou seu sonho, pois um sonho é algo que resiste aos imprevistos da vida, não é um desejo, é um sonho, minha gente.&lt;br /&gt;Continuam os problemas de saúde, assim como continua a sua coragem, a sua sede de vencer na vida, longe de casa, longe da família, longe dos amigos, longe do filho amado.&lt;br /&gt;Falta agora pouco mais de um ano para o menino, sim, porque alguém com um coração tão puro só pode ser um menino, dizia que em pouco mais de um ano o menino formar-se-á Médico. Nem acredito, meu Deus do céu! Eu estou chegando lá.&lt;br /&gt;Miocardiopatia hipertrófica e edema agudo de pulmão: &lt;em&gt;Causa mortis&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Sim, no final da luta, nosso querido sucumbiu nas garras daquele que ninguém vence. A causa dos seus problemas de saúde era uma doença congênita que propicia a pessoa a ter arritmias cardíacas, causando baixo fluxo sanguíneo para o cérebro e levando ao aparecimento de convulsões, o mal do qual padecia meu amigo. Por infelicidade dele e de todos nós, amigos dele, ele só descobriu a razão de seu padecer, depois de morto.&lt;br /&gt;Depois de toda essa tragédia, aprendi que tudo o que tivermos para falar que possa melhorar a vida de um ente querido nosso, devemos falá-lo enquanto essas palavras podem ser escutadas, não devem ser palavras jogadas ao vento.&lt;br /&gt;Meu querido e saudoso amigo Tchindo, me arrependo por tudo que eu podia ter feito para te ajudar e, porventura, não tenha feito.&lt;br /&gt;Amor eterno.&lt;br /&gt;Dedico essas linhas ao meu saudoso amigo, Alcindo João Pires de Antônia - Tchindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-2853173052413769254?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/2853173052413769254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=2853173052413769254' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2853173052413769254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2853173052413769254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/06/post-mortem.html' title='POST-MORTEM'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-1539893493120961510</id><published>2008-06-16T11:49:00.001-03:00</published><updated>2008-12-13T11:38:47.676-02:00</updated><title type='text'>Fumaça</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Fumaça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o sol me acode&lt;br /&gt;apressado, se esconde&lt;br /&gt;pra de mim se apoderar&lt;br /&gt;a noite amarga, sem luar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e essa paz mortal&lt;br /&gt;me aflige, me suga&lt;br /&gt;me leva caminhando,&lt;br /&gt;sem pressas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a noite fede&lt;br /&gt;seus ossos são muitos&lt;br /&gt;seca, não chora&lt;br /&gt;não chove nunca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e cheira a fumaça&lt;br /&gt;branca, e em paz&lt;br /&gt;eu me calo, e olho&lt;br /&gt;pra longe, pra minha terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me deixo embalar,&lt;br /&gt;pelo som da minha terra&lt;br /&gt;chamando seu filho&lt;br /&gt;há muito perdido no mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu nem choro,&lt;br /&gt;nem isso posso&lt;br /&gt;meu pecado é grande&lt;br /&gt;nem a chuva me pode lavar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a música me embala&lt;br /&gt;e eu choro...&lt;br /&gt;minha terra me perdoa&lt;br /&gt;e eu a perdôo, em paz.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Aquele abraço.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-1539893493120961510?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/1539893493120961510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=1539893493120961510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1539893493120961510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/1539893493120961510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/06/fumaa-nem-o-sol-me-acode-apressado-se.html' title='Fumaça'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-3648910108413795944</id><published>2008-06-03T19:30:00.003-03:00</published><updated>2008-06-03T19:58:33.522-03:00</updated><title type='text'>Coisas da minha Terra</title><content type='html'>Era uma vez, numa terra não muito longe do meu coração, numa época não apagada da minha memória, as pessoas eram muito felizes. Os adultos dançavam 'paravante' e as crianças dormiam embaladas pelas histórias de 'Nhô Lobo,Chibinho e Tia Ganga'...Nho lobo foi para o sul e Chibinho foi para o norte, à procura de comida por ser grande a fome. Lembro-me das histórias como se ontem as tivesse ouvido.&lt;br /&gt;Dizem que no 'paravante' os homens &lt;em&gt;rematavam&lt;/em&gt; as damas, pagavam literalmente por elas. Quem pagasse mais dançaria a noite inteira com sua dama. Ele havia pagado por ela, ora bolas.&lt;br /&gt;De vez em quando surgiam uns mais desaforados que tentavam dançar com damas por outros já arrematadas. Hoje vejo que aquilo era só um pretexto para sair no braço, do dente ou na pedrada, com o felizardo que havia pagado para dançar com a dama, a noite inteira, pelo amor de Deus. Depois de uns olhos roxos e alguns dentes quebrados, tudo voltava ao normal, ao ritmo do violino de Djonzin de Dina. 'Talaia baxu' era sempre o carro-chefe. Quem sabia dançar se exibia e quem não sabia (geralmente os brigões não sabiam dançar) se escondia.&lt;br /&gt;A lua, cheia, está já no meio do céu e ilumina a caldeira inteira. O baile segue animado, só não sei se mais animado que o sonho do menino que havia escutado a história contada pela avó. Nessa parte do sonho 'Chibinho' já está na figueira cantando 'figueira mama riba' e comendo os figos mais doces que existem no mundo das histórias. 'Nhô lobo' continua ainda no sul comendo grilo, pois essa terra é amaldiçoada, só tem 'farroba di spin'. Talvez assim seja desde que os habitantes de determinada zona falaram 'bongin pagan pan panhabu'. Soberba é boba, como se diz na minha terra...&lt;br /&gt;O baile se arrasta para o final, com o mesmo vigor que muitos que foram ao baile e que agora estão rindo à toa, graças às muitas canecas de &lt;em&gt;manecon.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já não é noitinha e já é manhã, outro dia.&lt;br /&gt;E assim o tempo passa, as primaveras abraçando os verões e a chuva lavando nossas almas, geração após geração.&lt;br /&gt;E assim são as coisas da minha Terra.&lt;br /&gt;Stória kaba, balá n'borka.&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-3648910108413795944?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/3648910108413795944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=3648910108413795944' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3648910108413795944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3648910108413795944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/06/coisas-da-minha-terra.html' title='Coisas da minha Terra'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-4417911118439964657</id><published>2008-05-26T16:24:00.000-03:00</published><updated>2008-05-26T16:56:03.975-03:00</updated><title type='text'>Chã das Caldeiras</title><content type='html'>O &lt;span style="font-family:arial;"&gt;menino estava sentado atrás do "funco", olhando, em extâse, a chuva que caía na fria tarde de setembro. Sentiam-se, o menino, os outros meninos, os pais e os "dodonos" e "donas", dizia eu que sentiam-se todos leves, aliviados do peso imposto pelo temor de um ano de "azágua mofino".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na "padjigal" só tem um restinho de uvas moscatel, daquelas mais tardias, que amadurecem apenas quando as outras já se apodreceram de tão maduras, apenas para dizerem (falo das moscatel), em linguagem de uvas, &lt;em&gt;sou mais gostosa, sou mais gostosa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A chuva dá uma trégua, &lt;em&gt;'tempo dja da'&lt;/em&gt;, como dizem o menino e os outros meninos. Todos saem às pressas ao campo para apanhar o pasto para o gado e depois correr atrás de "txantxiroti", molhados pela chuva e com dificuldades para voar. Que alegria!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;-É melhor voltarmos para casa -diz o menino mais velho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;-Porquê? - querem saber os outros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;-'Capel' ainda está no vulcão - diz o mais velho, fazendo referência a uma nuvem que fica em cima da cratera principal do vulcão  e que, dizem os mais velhos e, obrigatoriamente, mais sábios, é sinal de muita chuva. Que regressem todos ,então, para o funco! Nem precisei pedir duas vezes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em instantes a chuva recomeça sua dança, com mais vigor  agora, com mais vontade. Até parece que apenas estava esperando as crianças chegar  em casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já é noitinha e já é manhã...segundo dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Antes das seis da manhã o pai liga o rádio para ouvir notícias. Diz o locutor, aquele homenzinho que mora dentro do rádio, como imagina o menino, continuando, diz o locutor que a chuva caiu em todas as ilhas. Todos ficam radiantes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Venham tomar café - chama a prima. De novo, não foi preciso pedir  duas vezes. Todos tomam café com leite de cabra, um pouquinho de açucar, pois as bocas são muitas e o açucar pouco, e um pedaço de 'gufongo'. Hoje é &lt;em&gt;café de fidju&lt;/em&gt;, não&lt;em&gt; café de n'ganha&lt;/em&gt;. Hoje choveu, hoje é dia de festa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Desjejum acabado, todos se preparam para ir para 'boca fonte' trabalhar. Uns farão as covas, outros enterrarão as sementes, dois de milho e dois de feijão, dois de bongim e dois de milho, em cada cova. Outras farão a comida, tão desejada, depois de horas de labuta. O menino sonha com o dia em que ele não mais enterrará as sementes. Sonha com o dia em que terá sua própria enxada e fará as covas, como os meninos mais velhos. Mal sabe ele que ele será médico e que sonhará muito com os dias em que ele, os outros meninos, os pais, os "dodonos" e as "donas" ficavam atrás do "funco" vendo a chuva cair, nas frias tardes do mês de setembro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Aquele abraço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-4417911118439964657?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/4417911118439964657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=4417911118439964657' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4417911118439964657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/4417911118439964657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/05/ch-das-caldeiras.html' title='Chã das Caldeiras'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-3847952834048602377</id><published>2008-05-20T15:37:00.000-03:00</published><updated>2008-05-20T16:01:46.602-03:00</updated><title type='text'>Coisas que me fazem Bem</title><content type='html'>Algumas coisas são boas para mim, outras nem tanto. Minha vida, minha família, minha terra, tudo isso me faz bem.&lt;br /&gt;É bom quando acordo de manhã e vejo meu filho feliz, com saúde. Minha vida se torna uma música que tem sentido, a letra e a melodia são completamente absorvidas pela minha alma. Isso me faz bem.&lt;br /&gt;É bom ajudar alguém com seus padecimentos, trazer um pouco de dignidade aos que estão sendo empurrados de um lado para o outro, sem piedade, sem compaixão. Dizem uns que é assim mesmo, que alguns sofrem mais que outros, mas eu não me convenço com essa forma demasiado simplista de encarar o sofrimento alheio. Devo continuar me perguntando o que posso fazer para amenizar um pouco quem padece. Suas lágrimas não podem nunca parar de me incomodar, de me envergonhar ao pensar em não fazer algo.&lt;br /&gt;Se eu seguir esses preceitos, que goze eu da minha profissão, que usufrua eu dos frutos que hão de nascer das sementes que hoje enterro na terra árida.&lt;br /&gt;Deus é grande, assim como é grande a intolerância da raça humana, do &lt;em&gt;homo&lt;/em&gt; chamado &lt;em&gt;sapiens sapiens&lt;/em&gt;, termo esse redundante a meu ver. Seria isso para denotar grandeza, superioridade em relação aos outros animais, muito mais dotados de empatia que nós?!&lt;br /&gt;Faz me bem escrever sobre as coisas que sinto, não apenas as que penso, assim como faz bem a um poeta dedicar seus mais belos versos à sua amada.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Omnia vincit amor&lt;/em&gt;, como já se disse.&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-3847952834048602377?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/3847952834048602377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=3847952834048602377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3847952834048602377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/3847952834048602377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/05/coisas-que-me-fazem-bem.html' title='Coisas que me fazem Bem'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-2466802672684804289</id><published>2008-05-12T16:08:00.000-03:00</published><updated>2008-05-12T16:43:22.443-03:00</updated><title type='text'>Profundamente Simples</title><content type='html'>Outro dia estive no Fogo e, com outra mentalidade depois de seis anos de Universidade, comecei a reparar num paradoxo que existe por lá, que sempre existiu, mas que antes eu não tinha reparado: nós somos profundamente superficiais e por isso, só por isso, somos felizes, com o punhado de nada que temos.&lt;br /&gt;Nós não temos planos a longo prazo...podem alguns dizer que têm, mas eu não tinha. Sem saber, todos nós, filhos de Djarfogo, exercemos plenamente um dos pilares da felicidade plena: a cada dia os seus problemas. Não adianta sofrer por antecedência, ser cobaia da nossa mente maliciosa, ser refém de tristezas virtuais. Provavelmente todos esses pensamentos são estéreis&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Nunca beijarão a face da realidade. Nunca se concretizarão. Tudo isso fazemos inconscientemente.&lt;br /&gt;Nossas preocupações são promíscuas, rapidamente dissolvíveis, como o orvalho ao sol da manhã de inverno. Que bom, digamos nós! Não façamos questão do contrário!&lt;br /&gt;Se um de nós se olhar, buscar o que existe no mais profundo do nosso ser, certamente encontrará paz, muita paz, paz que só existe na nossa terra, na nossa casa, na nossa vida. Demos todos graças a Deus, amém!&lt;br /&gt;Aquele abraço.&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-2466802672684804289?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/2466802672684804289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=2466802672684804289' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2466802672684804289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/2466802672684804289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/05/profundamente-simples.html' title='Profundamente Simples'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1314607013522159842.post-307654603938594329</id><published>2008-05-11T16:34:00.001-03:00</published><updated>2008-05-11T16:48:20.939-03:00</updated><title type='text'>Eu e minhas Circunstâncias</title><content type='html'>Eu sou feito pelas circunstâncias, assim como qualquer outro. Dizem uns, que a ocasião faz o ladrão.&lt;br /&gt;Na nossa terra, sonhamos todos em conhecer o mundo, é nosso destino, nossa teimosia. O eterno dilema do 'ter que ir querendo ficar'. Eu também teimei, saí do ventre de minha terra e me aventurei pelo mundo que, com ares de meretriz, me seduzia, enquanto ingénuo garoto.&lt;br /&gt;Hoje não digo que me arrependo, pois consegui coisas que me farão feliz a vida inteira. Arrependo-me apenas das coisas que eu não fiz, não por desleixo, apenas por não saber o quanto eram importantes essas coisas.&lt;br /&gt;Arrependo-me de não ter aproveitado mais minha terra, nossa música, nossos livros, nossos poemas sobre estiagens e fomes de épocas passadas. Arrependo-me também de não ter saído mais na chuva, de não ter decifrado que a chuva cai com o único desejo de lavar nossas almas, de secar nossas mágoas.&lt;br /&gt;O arrependimento serve a mim, no sentido de me fazer ver as coisas lindas que existem em minha terra. Serve para me fazer entender a burrice do nosso 'regionalismo'. Para entender que o que une nossas separadas ilhas é &lt;em&gt;nosso povo, nossa coragem de viver! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sonho, logo existo, digo eu.&lt;br /&gt;Aquele abraço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliezer Monteiro - Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1314607013522159842-307654603938594329?l=fidjudjarfogo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/feeds/307654603938594329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1314607013522159842&amp;postID=307654603938594329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/307654603938594329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1314607013522159842/posts/default/307654603938594329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fidjudjarfogo.blogspot.com/2008/05/eu-e-minhas-circunstncias_11.html' title='Eu e minhas Circunstâncias'/><author><name>Burcan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02525922891104017535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SizAIwapvC0/SM6hxcEyJrI/AAAAAAAAAEU/-J670e4l3WE/S220/to.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
